Sexta feira, 28 de novembro de 2014 Edição nº 12095 24/04/2008  










OPERAÇÃO MADONAAnterior | Índice | Próxima

Nove são presos por cartel do combustível

Força-tarefa identificou que donos de estabelecimentos do ramo, bem como presidente do SindiPetróleo, forçavam valores para manter interesses

Lorival Fernandes/DC
Escutas telefônicas apontaram quando e como tabelamento de combustíveis era forçado por empresários
ALINE CHAGAS E ADILSON ROSA
Da Reportagem

Uma ação conjunta entre o Ministério Público e a polícia desarticulou um esquema de cartel de preços de combustíveis em Mato Grosso culminando com a prisão de nove pessoas, entre elas empresário do ramo. A operação Madona, realizada por uma força-tarefa formada pelo Grupo de Atuação contra o Crime Organizado do MPE, Ministério da Justiça, polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal, começou ontem pela manhã, em Cuiabá e Várzea Grande, e deverá continuar no interior nos próximos dias. Somente ontem, doze mandados de busca e apreensão foram cumpridos em estabelecimentos ligados ao segmento, entre postos de combustíveis, distribuidoras e o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Mato Grosso (SindiPetróleo).

O coordenador da operação, promotor Célio Wilson, explicou que há provas de envolvimento de todas as pessoas presas na operação. Entre elas estão o presidente do Sindipetróleo, Fernando Chaparro, o ex-gerente das factorings de João Arcanjo Ribeiro, Nilson Teixeira (dono da rede de postos América – bandeira Ipiranga), Daniel Locatelli, da rede Locatelli, o gerente do grupo Simarelli, Orisvaldo Jacomini, o empresário e advogado Waldir Chechet, Bruno Borges, Paulo Roberto da Costa Passos e Gércio Marcelino Mendonça Júnior. Locatelli e Mendonça Júnior foram liberados ontem mesmo, após prestarem depoimentos.

Desde 2002 o Ministério Público Estadual investiga a possibilidade da existência de um cartel dos combustíveis, mas foi no início do segundo semestre de 2007 que os promotores do Gaeco começaram a buscar provas concretas, quando começaram as interceptações telefônicas, acompanhamento de reuniões do grupo de empresários e investigação de denúncias feitas pelos próprios consumidores ao órgão. Conforme Célio Wilson, as provas juntadas até ontem mostram que não há dúvidas quanto à existência de cartel, com forte participação do SindiPetróleo.

As investigações mostraram que os empresários se reuniam na sede do Sindicato constantemente, sem uma periodicidade definida, para combinar como iam tabelar os preços e quais seriam. Os nomes mais fortes do esquema ligavam para outros envolvidos (empresários e representantes de postos) para informar os preços dos combustíveis assim que terminavam as reuniões. Aqueles que não participavam do esquema acabavam sofrendo a prática de dumping – concorrentes próximos que integravam o cartel derrubavam os preços para forçá-los a participar do esquema, técnica utilizada para “quebrar” a empresa.

O promotor Célio Wilson explicou que os preços dos combustíveis combinados para serem praticados no comércio varejista não costumavam passar de R$ 0,02. Ainda pelas investigações, de acordo com o promotor, é possível dizer que quase todos os postos de combustíveis do Estado deviam participar do esquema. Em uma das provas adquiridas recentemente pelo MPE, um empresário informa a outro colega que houve reunião do grupo e o preço do álcool deveria mudar na segunda-feira seguinte. Na data informada no telefonema, os investigadores foram aos postos e constataram que o preço informado na conversa era realmente o que estava valendo nas bombas.

Os presos passaram o dia na sede do Gaeco. Todos os advogados informaram que estavam aguardando os depoimentos para depois decidir o que fazer. Os nove deverão ser acusados de crime contra a ordem econômica, formação de cartel e dumping. No caso de condenação, a pena pode variar de dois a oito anos de reclusão. Cerca de 200 policiais participaram da ação. Desses, 70 vieram de Brasília.



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto

· queria ver se o gaeco investigasse a ADM  - anonimo
· Essa promotoria do estado de mt é uma ve  - Joao Silvério
· Esta prática já vem sendo difundida há a  - Marcelo Casstro
· Devo, pela relevância, parabenizar aos a  - JOÃO GALDINO DE MEDEIROS
· Notável esta operação liderada pelo Mini  - Marilson Mendes Ribeiro
· Parabéns ao Ministério Público e a Políc  - Marcelo Mattos
· nós consumidores ficamos feliz com a atu  - alcides ferreira da silva
· Até que enfim, já tava passando da hora   - Sergio Silva

21:50 Candidatos intensificam campanha
21:50 TCE irá propor para Taques TAG na área da Saúde de MT
21:50 Maggi defende o Bolsa Família
21:50 Demora da LOA preocupa Silval Barbosa
21:49 Mendes repassa articulação de espaço para deputados


21:48 Ex-vereador depõe na segunda
21:48 “Operação Aprendiz”, só em 2015
21:48 Taques enviará Mensagem em até 15 dias para AL
21:45 Walace é alvo de mais um inquérito
21:31 ERRAMOS
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2012