Sábado, 23 de março de 2019 Edição nº 12083 08/04/2008  










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Peixe é o prato mais popular nas mesas

Das comidas regionais, a mojica de pintado se sobressai; influências modificaram a composição da iguaria, que hoje leva tomate e leite de coco

TANIA NARA MELO
Da Reportagem

Presença mais do que constante no cotidiano dos cuiabanos, o peixe também está inserido nas artes, na história e nas tradições de quem vive por aqui e é um dos ícones da cultura local. Aliás, não é à toa que o cuiabano é mais popularmente conhecido como “papa-peixe”. Essa expressão, de acordo com o professor da UFMT e doutor em História, Carlos Alberto Rosa, revela a predileção dos cuiabanos pela carne de peixe e é uma característica recorrente nos vários momentos da história da cidade. “Tanto que o termo ‘papa-peixe’ se tornou uma espécie de gentílico complementar do cuiabano”, revela.

Carlos Rosa diz, ainda, que não é possível saber com exatidão quando esse modo maroto de denominar moradores desta parte passou a ser utilizado. É sabido, porém, que ele nasceu de uma ação lingüística de origem portuguesa e que no início do século XVIII Rafael Bluteau mencionou várias vezes, em seu Vocabulário português, a expressão papa-peixe, mas tratando principalmente da ave assim designada.

Predominante na culinária regional, ele está presente nas mais variadas formas em quase todas as receitas tradicionais. “Comer peixe é um hábito indígena que foi incorporado à tradição ribeirinha’, diz a culinarista e pesquisadora Tanâne Carreira. Com um currículo que inclui publicações sobre a gastronomia mato-grossense no livro “Sabores de Mato Grosso”, com receitas tradicionais de todas as regiões do Estado, um site de gastronomia e, ainda, um programa de tevê onde ensina a elaboração de pratos regionais passo-a-passo, ela revela que a presença do peixe na mesa dos cuiabanos é uma tradição que vem sendo cultivada ao longo dos seus 289 anos.

Tanâne lembra que antes havia fartura do produto e para tê-lo à mesa bastava ir à beira do rio pescá-lo. “Hoje já não há tanta abundância nos rios, mas ainda assim o peixe é um alimento bastante acessível à população, pois existem muitos centros de piscicultura onde a reprodução é feita em tanques. Isso permite que o peixe seja um prato bastante consumido pelos cuiabanos”, afirma.

A culinarista lembra também que ao longo do tempo muitos pratos tradicionais tiveram suas receitais originais alteradas, com a adição de novos ingredientes. É o caso da mojica de pintado, o prato preferido dos cuiabanos, como comprova a pesquisa Alma Cuiabana.

Segundo Tanâne, a receita original leva apenas peixe, mandioca e cheiro verde. “Era como os ribeirinhos faziam. Pescavam o peixe, pegavam a mandioca e cheiro verde do quintal e preparavam a refeição. Hoje são poucos os lugares que ainda oferecem a mojica em sua receita tradicional. Há casos em que além do tomate também são adicionados leite de coco e até mesmo azeite de dendê. Na receita original o caldo é quase branco”, explica.

Outro alimento bastante tradicional da culinária local e que hoje está perdendo seu espaço, de acordo com Tanâne, é o pacu seco, usado em várias receitas regionais. Antigamente, em virtude da fartura do alimento e a falta de lugar para estocá-lo, o pacu era salgado e colocado ao sol para secar. Depois era comercializado dessa forma e até mesmo enviado para outros estados. Com a chegada da energia, no entanto, o processo acabou entrando em desuso e o famoso pacu seco ficou cada vez mais escasso. Hoje ainda é possível encontrá-lo em alguns restaurantes de comida regional ou na Feira do Porto, mas poucos mantêm o hábito de consumi-lo.

“A comida cuiabana encanta, e quem experimenta acaba gostando”, diz Tanâne. Em seu site e também no programa de tevê a maioria das receitas pedidas pelo público têm o peixe como principal ingrediente. Além da mojica, o pacu assado, o caldo de piranha e a piraputanga também estão na preferência dos cuiabanos. As inúmeras peixarias existentes na cidade, das mais simples às mais sofisticadas, dão bem uma mostra do quanto o alimento é apreciado por aqui.

Mas não é apenas a população local que tem predileção pelo peixe. Os turistas que visitam a cidade, principalmente os do Sul do país, não abrem mão do pacu assado, da mojica de pintado e de outras iguarias regionais.



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