Impasse acaba e reféns são libertados
Notícia veio no fim da tarde e, além dos três que chegaram ontem, o restante estará em Cuiabá hoje de manhã. Já indígenas seguiram ao DF
PEDRO ALVES/DC
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| | Ontem de manhã, primeiros reféns liberados contaram detalhes sobre a precariedade em que viveram últimos dias |
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JOANICE DE DEUS E ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Todos os 14 reféns retidos pelos índios ikpeng, da aldeia Moygu, foram libertados no final da tarde de ontem e devem chegar hoje cedo a Cuiabá. A Fundação Nacional do Índio informou, no início da noite, que após contato com os mediadores receberam a informação de que todos estariam bem. Três dos 14 reféns foram liberados ainda pela manhã e trazidos para a Capital, onde prestaram depoimento na Polícia Federal. A aldeia Moygu está localizada no Parque Nacional do Xingu, cerca de 600 quilômetros de distância de Cuiabá.
Quarenta guerreiros indígenas aguardam um ônibus fretado pela Funai em Canarana (823 quilômetros a leste da Capital) para seguir viagem à Brasília (DF), onde se reunirão com o presidente da Funai, Márcio Meira. A chegada deles está prevista para amanhã. Desde o início, os índios pediam como condição para a libertação dos reféns uma conversa mais aprofundada com os representantes do órgão sobre a construção da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Paranatinga II em área próxima ao Parque.
Antes de prestar depoimento na Polícia Federal, na sede do Instituto Creatio, os ecólogos Dionei José da Silva e Manoel dos Santos, ambos de 38 anos, e o engenheiro florestal Fabrício Alves de Moura, 35, conversaram rapidamente com a imprensa.
Dionei da Silva lembrou que a equipe composta por oito pesquisadores e quatro funcionários indígenas da Funai se deslocou para a aldeia a convite do órgão para fazer o estudo sócio-antropológico e ambiental necessários ao funcionamento da Pequena PCH Paranatinga II, no rio Kuluene, entre os municípios de Campinápolis e Paranatinga.
Na última sexta-feira, um piloto de avião e uma antropóloga da Funai também foram presos pelos índios depois de serem enviados à região para dar andamento às negociações. Os estudos servirão para definir as compensações financeiras a cada etnia. Segundo Dionei da Silva, a equipe já havia passado por nove aldeias do Alto Xingu e passaria por outras oito no Médio e Baixo Xingu. “No Médio, já havíamos passado em uma aldeia e quando entramos na segunda é que fomos rendidos”, disse. “À tarde, quando chegamos ao posto Pavuru, na aldeia Moygu, da etnia ikpeng, os índios já estavam pintados para guerra. Eles nos forçaram a sentar e a falar na língua deles”, acrescentou.
Conforme Dionei da Silva, o grupo foi obrigado a ir para uma cabana de pau-a-pique. “Fomos por várias vezes empurrados e o tempo todo sendo amedrontados e ameaçados pelos índios que batiam a todo o momento na cabana”, relatou lembrando que a etnia tem histórico de ser violenta.
Apesar das ameaças, Dionei da Silva disse que não foram agredidos. No entanto, lembrou que os reféns são mantidos em condições precárias e que há gente com diarréia e passando mal.
Preocupado com possíveis reações dos índios, o delegado José Maria Fonseca disse apenas que aguardava instruções de Brasília para ver quais medidas seriam tomadas. Ontem à tarde, a Polícia Federal informou de que somente depois da libertação dos reféns é que seria decidido se haveria ou não inquérito. Até o final do expediente, não havia informação sobre a o início do procedimento investigativo.
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