Domingo, 21 de julho de 2019 Edição nº 9792 26/11/2000  










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Leia trechos do depoimento do cinegrafista

Da Reportagem

A fita a que o Diário teve acesso tem aproximadamente 50 minutos de gravação, desde as negociações com os assaltantes, a libertação dos reféns, o momento em que um dos moradores joga fogo até os 15 minutos finais de agonia de Osvaldo Bachinan. As imagens são chocantes e nítidas, mas deixam algumas dúvidas: os policiais militares que aparecem junto aos três assaltantes deitados, lado a lado, num descampado, já não estão por perto num outro descampado perto de uma rodovia, quando o fogo é ateado.

O cinegrafista Lenon José Durrewald foi localizado pela reportagem, mas já não mora em Matupá desde a chacina. Na época do crime, ele filmava casamentos na cidade. Assim como outros moradores, Lenon preocupa-se com o fato da imprensa, agora, estar relembrando o assunto. “Fui ameaçado e ainda tenho medo, por causa da minha família. Quando mais a gente fala deste assunto, mais perigoso fica. Não quero mais voltar a este tormento”, disse. Hoje Lenon trabalha viajando, muitas vezes para o exterior. Em fevereiro de 1991 – quatro meses depois da chacina - Lenon escreveu um artigo na revista Veja intitulado “Fiz uma reportagem” onde descreve os momentos da gravação.

“Filmei todas as cenas enquanto tive resistência de segurar a máquina sobre meu ombro (...) O que houve ali foi uma barbárie, algo que nunca tinha visto antes em minha vida (...) Muitas pessoas que estiveram na cidade queriam saber por que não larguei minha câmara e tentei impedir a tragédia. Na verdade, tentei sim, fui ajudado por uma senhora de 25 anos. Cheguei a gritar umas duas ou três vezes que eles já tinham sofrido demais e que não se podiam queimar pessoas vivas. Um dos bandidos até poderia ser levado para o hospital e, com sorte, ser salvo. Mas nem sequer fomos ouvidos. A maioria das pessoas observava apenas, enquanto dois ou três homens pegaram a gasolina, jogaram sobre os assaltantes e atearam fogo”(...)

“Senti medo de ser agredido se tomasse uma atitude mais dura. Acho que foi um comportamento inconsciente, como se todo mundo tivesse perdido, por alguns momentos, a noção da gravidade do que estava acontecendo ali (...) Já de volta do transe, conscientes do que haviam feito, as pessoas nada disseram. Foram embora caladas. Conversei depois com o rapaz que botou fogo nos três e ele estava muito mal, arrependido. Na primeira missa de domingo, o padre fez um sermão condenando o crime, dizendo que ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa. Mas não chegou a ser um sermão indignado, de quem está com o chicote na mão. Ele conhece a realidade local, é ele quem enterra pais e mães de famílias vítimas dos assaltos e estupros”(...).

“Agi como jornalista que desde os 8 anos de idade sonhei ser (...) Firmei a câmera com o sacrifício de quem se sente obrigado a documentar uma barbaridade que, certamente, o Brasil não conheceria se eu tivesse simplesmente ido embora (...) Sofri, em decorrência do filme, muitas ameaças – uma delas de um dos envolvidos diretamente na execução – e, por isso, tenho hoje (1991) a companhia de três agentes da Polícia Federal me garantindo a segurança.(...) Antes da tragédia o governo não tomava conhecimento dos problemas de Matupá, embora a violência imperasse na cidade sem punição (...) A maioria da população condena a chacina, mas o governo não nos deu nada para ter o direito de agora de cobrar alguma coisa”. (JPL)



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Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto

· Moro em matupá na epoca morava no Parana  - claudinei
· hoje eu moro em sao paulo mas na epoca e  - alessandra aparecida alves
· isso mostra o quanto é evoluido nosso pa  - halen
· é um ABSURDO o que aconteceu..homicídio   - Matheus
· é de fato uma barbarie o que ocorreu, to  - marcelo novaes
· isso eu achei foi pouco antes eles do no  - frank joseph
· ESTIVE EM MATUPA EM 1990 15 DIAS DEPOIS   - jair milton schwab




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