Justiça acata denúncia contra ex-diretor
Conforme MPE, Dakari Tessmann, ex-funcionário do órgão, orquestrava esquema para ‘transformar’ veículos e lucrar com empréstimos bancários
| | Primeira audiência foi marcada para setembro; outros quatro acusados também responderão na Justiça |
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KEITY ROMA
Da Reportagem
A juíza da 8ª Vara Criminal de Cuiabá, Maria Rosi de Meira Borba, acatou a denúncia contra o ex-diretor do Detran Dakari Tessmann e outros quatro acusados de fraudar informações no sistema e dar golpes em agentes financeiros. A primeira audiência do caso está marcada para o dia 29 de setembro de 2008, as 14h30. A ação do grupo, entre 2004 e 2006, resultou em prejuízos de quase R$ 1 milhão para as instituições bancárias.
O bando foi desarticulado durante a Operação Metamorfose, realizada pela Polícia Civil, em março de 2007. Os integrantes estão sendo processados por estelionato, por inserção de dados falsos em sistema de informações e por falsidade ideológica. Além desses, também constam na denúncia os crimes de corrupção ativa e passiva, e emissão de documentos públicos ideologicamente falsos.
O golpe consistia em comprar “carretinhas para reboque” de uma empresa de Goiás, da marca Rondon, e com o auxílio do despachante Mário Mancuso e o aval do diretor do Detran, fraudar o documento desses pequenos veículos aqui. Assim, eles se tornavam carretas de grande porte, ao menos na documentação. O preço dos veículos, que custavam cerca de R$ 1 mil, subia para até R$ 130 mil.
Os veículos, que na verdade só existiam no papel, serviam de garantia, durante a realização de empréstimos bancários. A documentação falsa fazia com que os bancos concedessem grandes quantias para os investigados. Com o não pagamento do financiamento, o prejuízo seria apenas das instituições.
As investigações apontaram na época 14 documentos fraudados, que corresponderiam a mesma quantidade de veículos. Enquanto Tessmann e Mancuso agilizavam as fraudes na documentação em Mato Grosso, outros dois envolvidos de Goiás compravam as “carretinhas” e solicitavam os financiamentos, as vezes em nome de “laranjas”. São eles Clésio Marco de Jesus e Noésio Peres da Costa.
O envolvimento do quinto processado, Roberto Carlos Dionésio Lucas, ficou comprovado em apenas uma transação, em que ele utilizou o nome de Sebastião Neves para realizar um financiamento de R$ 80 mil no banco Bradesco. Segundo as informações dos bancos, 10 dos 13 financiamentos comprovados totalizam um desfalque de R$ 906,884 mil.
A suspeita sobre os crimes surgiu em 2005, após a constatação de uma transferência fraudulenta de um Mercedes Benz de Goiás para Peixoto de Azevedo. Já constavam nos registros públicos indícios de que o documento do carro em questão havia sido clonado em Sergipe. A transferência ilegal havia sido feita por Tessmann, utilizando a senha de um servidor fictício criado por ele mesmo.
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