Sexta feira, 03 de setembro de 2010 Edição nº 12029 01/02/2008  










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Xavantes fazem servidores reféns em Barra

Entre eles está uma mulher grávida e o chefe do distrito sanitário em exercício. Índios querem nomeação do novo administrador e criticam política do órgão


Diversas lideranças estão reunidas e possivelmente passariam a noite mantendo os funcionários no local
FRANCIS AMORIM
Da Sucursal

Índios da etnia xavante fecharam a sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e fizeram os funcionários reféns durante o dia de ontem, em Barra do Garças. A manifestação começou por volta das 10 horas e teve como propósito “pressionar” a presidência do órgão, em Brasília, a nomear o novo administrador do Distrito Sanitário de Saúde Indígena. Entre os reféns estão uma funcionária grávida e o chefe em exercício do distrito, José Henrique Leite.

O movimento está sendo liderado por vários caciques, entre eles, Domingos Suimé e Aniceto Tsudzavéré, que desde o final do ano passado vinham promovendo uma série de protestos com a finalidade de substituir a ex-administradora do distrito, Marley Arantes de Oliveira. Ela foi exonerada no início de janeiro e a demora em nomear o novo chefe revoltou as lideranças. Eles querem a nomeação do administrador Nivaldo Corrêa Neto para a chefia do Dsei.

Na sede da Funasa, os índios estenderam faixas contrários à ingerência política dentro do órgão. Os caciques dispararam contra o deputado estadual Adalto de Freitas Filho, o Daltinho (PMDB) que, segundo eles, estaria disposto a continuar exercendo influência dentro do distrito “apadrinhando” nomeações. “Não vamos tolerar mais nenhuma participação de políticos. Queremos alguém da nossa confiança”, disse o cacique Aniceto.

Durante a manifestação, os caciques criticaram a política de saúde indígena desenvolvida pela Funasa na região de Barra do Garças e apontaram números negativos que mostram a precariedade do atendimento médico nas aldeias. O alto índice de mortandade de crianças é o que mais preocupa as lideranças. Os índios divulgaram um gráfico com um quadro preocupante: em 2007, 18 crianças morreram nas aldeias e somente no mês de janeiro foram registrados 14 óbitos.

Até o final da tarde de ontem, os 50 funcionários que foram feitos reféns aguardavam uma posição da presidência da Funasa, em Brasília, para serem liberados e retornarem para suas casas. “Nós almoçamos aqui e não temos hora pra sair. Depende apenas das autoridades em Brasília. Já fomos alertados que podemos até dormir aqui”, disse uma funcionária pelo celular, que não quis ser identificada temendo represália.



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