Mais de 60 são liberados no fim de semana em Mato Grosso
TAUANA SCHMIDT
Da Reportagem/Sinop
Mais de 60 trabalhadores de Mato Grosso foram retirados de situação degradante durante o final de semana. As ações foram coordenadas pelo Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, em determinadas regiões do Estado, e pela Polícia Militar no município de Peixoto do Azevedo (691 quilômetros de Cuiabá).
Na sexta-feira, quatro pessoas foram libertadas de condição análoga a trabalho escravo no distrito de União do Norte, em Peixoto. Regivaldo da Silva (20), José Wellington (35), Joaquim Tavares Filho (58) e Abel Lopes de Oliveira (42) haviam sido contratados por duas pessoas, os chamados “gatos”, para trabalhar na roçada da fazenda Tatiana.
A ação foi realizada pela Polícia Militar, que recebeu uma denúncia do local onde os trabalhadores eram submetidos à condição análoga à de escravidão. Raimundo José Pereira da Silva e Josivam Vicente Lima foram presos em flagrante acusados de serem os “gatos”.
“Esse é o primeiro flagrante de trabalho escravo registrado na região. Eles [as vítimas] haviam sido contratados para fazer roçadas na fazenda, mas as condições que estavam vivendo estão fora da regulamentação prevista pelas leis trabalhistas do nosso país, caracterizando crime contra a vida humana”, comentou o delegado de Peixoto de Azevedo, Ferdinando Neto.
Também na sexta-feira, o Grupo Móvel, coordenado pelo Ministério Público do Trabalho, iniciou as buscas fiscalizando a fazenda Vila Verde, no município de Tapurah, região norte do Estado. A área é de propriedade de Caetano e Orlando Polato, que são reincidentes na prática do mesmo crime, conforme o MPT. Os fazendeiros já haviam assinado termo de ajustamento de conduta em 2001 e em 2005, após arrendaram a fazenda para o grupo econômico Bom Futuro, que atua no plantio de soja e algodão. A fazenda tem hoje 285 empregados e está com suas atividades interditadas em razão das irregularidades trabalhistas encontradas.
Lá, foram resgatados 41 trabalhadores que estavam trabalhando em condições degradantes, além de estarem expostos ao risco de contaminação por agrotóxicos, pois a pulverização do veneno era feita por um avião que sobrevoava a plantação jogando o produto inclusive sobre os trabalhadores.
No domingo, o grupo fiscalizou a Gleba Rio Ferro, localizada no município de Feliz Natal, de propriedade de Dorley Rodrigues de Freitas e do seu filho Samoroni Rodrigues, de onde foram resgatadas 20 pessoas entre elas quatro crianças e quatro mulheres, todos vivendo em condições degradantes. Os trabalhadores estavam desmatando para a formação de pasto uma área de 3.500 hectares. Não tinham carteira assinada e estavam com três meses de salário atrasado. (com assessoria)
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