Sexta feira, 03 de setembro de 2010 Edição nº 12015 16/01/2008  










EXTERIORAnterior | Índice | Próxima

Presidente Lula assina acordos com Cuba

Lula se disse "apaixonado" pela Revolução Cubana de 1959, e afirmou que não vai aceitar nenhuma "pirotecnia" ideológica contra a ilha


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva na residência oficial da Embaixada Brasileira
VERA ROSA
Da Agência Estado – Havana

Sem querer mexer no vespeiro da falta de liberdade em Cuba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não dá palpite na política interna de nenhum país porque quem adota essa prática "quebra a cara".

Chegou a citar o Citibank, que hoje teve prejuízos de US$ 10 bilhões, e se definiu como um "apaixonado" pela Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro. Mais: afirmou que não vai aceitar nenhuma "pirotecnia" ideológica contra a ilha.

Depois de assinar oito acordos de cooperação com Cuba nas áreas de energia, medicamentos e compra de alimentos e apostar na abertura comercial do país, Lula esquivou-se de falar sobre a necessidade de abertura política.

"Nós não queremos contribuir para cercear a liberdade das pessoas quererem escolher o País onde vão morar, mas também não queremos criar nenhuma pirotecnia anticubana como de vez em quando se tenta criar no mundo", afirmou. "Não queremos dar palpite nas coisas dos outros e, aliás, quem dá palpite quebra a cara. Vejam que o Citibank acaba de anunciar prejuízo de US$ 10 bilhões".

COM FIDEL

Antes de sua conversa reservada com Fidel, que desde julho de 2006 está afastado do poder por motivos de doença, o presidente foi questionado sobre a repressão em Cuba e o desrespeito aos direitos humanos, mas escapou de respostas contundentes. Para reforçar a estratégia, mencionou a difícil situação do Citibank. "Eles, que davam tanto palpite sobre como administrar as coisas, quando chegou a hora de provar a sua competência demonstraram que não têm tanta competência como falavam", insistiu.

Em entrevista concedida diante da Embaixada do Brasil, debaixo de chuva, Lula ainda brincou com o regime socialista da ilha, que vive sob embargo econômico dos Estados Unidos há quase meio século. "Vamos socializar a chuva", disse. Os repórteres insistiram e, ao perguntar sua opinião sobre a necessidade de abertura política, lembraram que dois boxeadores foram deportados para Cuba após participarem dos Jogos Pan-Americanos, em agosto, no Rio.

"As pessoas não manifestaram interesse em ficar. Quem manifesta interesse em ficar pede asilo. Eles não pediram asilo" disse. "O ministro da Justiça (Tarso Genro) tratou (o assunto) como deveria tratar e, no caso dos músicos, vai ocorrer a mesma coisa", completou, numa referência aos dois músicos cubanos que em dezembro, apresentaram pedido de refúgio à Polícia Federal.

Foi nesse momento que Lula se referiu ao que chamou de "pirotecnia" contra Cuba e defendeu a Revolução de 1959.

Visivelmente emocionado, o presidente disse ter "carinho muito especial" por Fidel. "Eu sou da geração apaixonada pela Revolução Cubana e estou torcendo para que Fidel tenha recuperação extraordinária", comentou, ao lembrar que visita Cuba desde 1985.

Lula foi recebido em Havana por Raúl Castro, irmão de Fidel e presidente em exercício de Cuba, com quem jantou na noite de segunda-feira. Participou de uma cerimônia de oferenda floral na Praça da Revolução, diante do Memorial "José Marti" e com vista para o Ministério do Interior, que exibia a imagem de Che Guevara ao lado da expressão "Hasta la victoria siempre". Depois, seguiu para o Palácio da Revolução, onde passou em revista a Guarda Real das Forças Armadas e assinou acordos de cooperação com Cuba.

Questionado sobre a diferença de negociar com Raúl Castro, o presidente disse não haver diferença. "O Brasil, como a maior economia do nosso continente, tem a responsabilidade de tomar iniciativas para fazerem as coisas acontecerem. O Brasil não pode ficar esperando que Cuba vá ao Brasil, que a Guatemala vá ao Brasil, que Honduras vá ao Brasil. Somos nós que temos de visitar esses países", argumentou Lula.



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto

17:54 Órgãos do Governo fecham para o feriado prolongado de 7 de setembro
17:24 Carga tributária no Brasil é maior do que nos Estados Unidos, na Espanha e no Canadá
16:59 Carreta e mineral avaliado em 1 milhão são localizados pela Polícia Civil
16:37 Governador define obras da Ferronorte e aeroporto Marechal Rondon em Brasília
16:20 Sema divulga números parciais das operações de combate às queimadas em MT


15:59 Instituições da Segurança Pública definem projetos para Copa do Mundo 2014
15:34 Reinauguração do Gigante do Norte marca início dos Jogos Olímpicos Mato-grossenses
15:16 Ministro da Agricultura garante recursos aos Estados para a Defesa Agropecuária de 2011
14:57 Belezas naturais incluem municípios de Mato Grosso na Rota das Águas
14:33 Campanha em Tangará da Serra visa preservação e limpeza da cidade
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2009