Quarta feira, 16 de janeiro de 2019 Edição nº 9789 23/11/2000  










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Chacina completa dez anos sem que haja condenado

JOANICE PIERINI LOUREIRO
Da Reportagem

A “Chacina de Matupá”, um dos crimes mais bárbaros que já aconteceram em Mato Grosso, completa hoje 10 anos sem que ninguém tenha sido punido pela tragédia que levou três assaltantes a serem queimados vivos pela população da cidade. Um processo civil e outro militar tratam do assunto. São 18 os denunciados no primeiro processo, número considerado acima da média dos processos normais, o que acaba por tornar a tramitação lenta.

O processo civil, com mais de 10 volumes e cerca de 2 mil páginas, está na Comarca de Peixoto de Azevedo. No dia 9 de fevereiro de 1998 a Justiça determinou que os 18 denunciados devem ir a júri popular. Entre os denunciados está um atual vereador da cidade. Uma parte dos acusados protestou contra a decisão, impetrando recurso no Tribunal de Justiça. A outra parte aguarda que o Ministério Público arrole testemunhas, para que depois a defesa também o faça. Em seguida deve acontecer o julgamento.

O processo militar está no Fórum Criminal de Cuiabá. O hoje coronel Edyr Bispo dos Santos, principal negociador do seqüestro que antecedeu o linchamento, é um dos denunciados. Edyr foi promovido três vezes nestes últimos 10 anos, e hoje é diretor de Ensino no Comando Geral da Polícia Militar.

Ontem, em entrevista ao Diário, Edyr disse que o linchamento aconteceu porque a polícia não tinha estrutura para conter a população. “Já tínhamos entregue os assaltantes à Polícia Civil. Só estávamos fazendo a escolta”, lembra. O coronel afirma ainda que o episódio acabou por sujar a sua imagem, assim como a da PM. “Também fomos vítimas. Foi um crime de multidão, e nesses casos não há um responsável”, acredita.

BARBÁRIE - O linchamento dos assaltantes Ivacir Garcia dos Santos, 31 anos, Arci Garcia dos Santos, 28 anos, e Osvaldo José Bachinan, 32 anos, gerou o inquérito 49/90, na Delegacia de Matupá. O crime foi investigado pelo delegado Osvaldo Florentino Leite Ferreira, que morreu no início deste ano. Outra testemunha chave das investigações – a irmã missionária Adelis Schoan, que participou das negociações do seqüestro – também morreu, há dois anos.

O linchamento dos três foi precedido de um seqüestro que durou mais de 15 horas. Na quinta-feira, 22 de novembro de 1990, Ivacir, Arci e Osvaldo invadiram a casa da família Mazzonetto por volta das 18h, para roubarem ouro e jóias. Eles estavam armados e mantiveram como reféns duas mulheres (uma delas grávida) e quatro crianças. A empregada, que estava na casa, conseguiu fugir e chamou a polícia. Em poucos minutos diversos militares e civis, inclusive de cidades vizinhas, já cercavam a casa.

Depois de muito tempo de negociação, os ladrões saíram da casa, já sob ameaça de linchamento. A principal prova do crime está numa fita que mostra os assaltantes sob escolta da PM. As cenas são deprimentes e mostram os três feridos e amontoados num descampado, com a população em volta. Um dos moradores joga gasolina e fogo. Osvaldo, mesmo depois de ter tido o corpo queimado por 15 minutos, permanece lúcido e pede perdão a Deus. A população em volta ironiza, perguntando: “está quente aí?”. (Leia mais sobre a “Chacina de Matupá” na edição de Domingo, 26)



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· Parabéns aos populares que fizeram a jus  - Carlos Kratos Jones
· Quem acha que foi injusto oque fizeram c  - claudio
· Enquanto os cidadãos de bem que existem   - claudio
· Eu assisti a fita. Não se pode deixar im  - ari jaeger
· Nao sou a favor desse tipo de justiça qu  - neto
· Esse episódio foi um dos poucos divulgad  - Prefiro não me identificar
· Típico do interior de Mato Grosso formad  - Luiz Gonzaga de Oliveira
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· sou academica do curso de direito, e tiv  - rozane
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· MATUPÁ: PEQUENO MONUMENTO BRASILEIRO Á B  - jOSÉ PAIXAO DE OLIVEIRA GOMES
· Senhor Abel, por um minuto,coloque sua   - santos
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