A defesa da igualdade racial
Ciências como Antropologia, Fisiologia e Psicologia reconhecem haver uma só espécie humana, ainda que infinitamente variada nos aspectos secundários da vida. As várias raças existentes são apenas nuances coloridas e biológicas de um mesmo ser – o homem. Mediante condições idênticas de vida, de estudo, de ambiente, de recursos, qualquer pessoa pode demonstrar as mesmas qualidades espirituais, morais e intelectuais.
Não há justificativa razoável para o preconceito racial, a não ser a ignorância, o orgulho e a má vontade em reconhecer nos outros as qualidades que existem em nós. Um mal mais de nosso próprio coração, quando guiado por uma herança social totalmente injustificável nos dias atuais.
Toda pessoa esclarecida e justa em seu julgamento concorda que o preconceito racial (aliás, todo e qualquer preconceito) não tem base real. É algo falso, injusto e até condenável. Mas os que são vítimas do preconceito não reagem assim tão complacentemente a esse mal. Têm razão. E por isso há que se buscar, urgentemente, não só a solução adequada, como, principalmente buscar atuar praticamente como indivíduo e no campo social, para eliminar tal problema, que é também um dos grandes obstáculos à própria paz mundial e fraternidade humana no planeta.
A Fé Bahá'í apresenta uma solução bastante prática para resolver o problema do preconceito. Um de seus princípios básicos é o da unidade da humanidade, que afirma, em síntese, ser "A terra um só país e os seres humanos seus cidadãos", que existe apenas uma raça, a raça humana, que todos os seres são criaturas de um mesmo Deus, que têm um destino comum e que o planeta é o lar comum de todos os homens.
Alicerçado em tal princípio espiritual todas as formas de preconceito poderão ser eliminadas. Primeiro nos corações humanos, onde nascem. Depois na vida da comunidade, mediante esclarecimentos públicos em debates em vários níveis, pelo apoio dos governos fazendo cumprir os postulados antipreconceito de suas constituições e os das Nações Unidas, pela educação nas escolas, pela orientação das religiões, pela divulgação de estudos científicos e sociais, pelo esforço conjunto de pessoas esclarecidas, de instituições humanistas e fraternistas, visando uma vivência mundial cada vez mais abrangente dos ideais de paz e unidade, de amor e de cooperação.
Felizmente, não só entre os bahá'ís, é crescente no mundo o número de pessoas e instituições que estão conscientizando-se da inutilidade do preconceito e buscam eliminá-lo. Esperemos que se agigante tal movimento de conscientização e de ação efetiva pela eliminação de todas as formas de preconceito, para que cheguemos ao final deste século pronto para iniciarmos um novo século vivenciando situações mais igualitárias. No dia 20 de novembro, "Dia Nacional da Consciência Negra", é um bom momento para analisarmos quais as conquistas e o que estamos fazendo para promover uma situação de igualdade entre os homens.
* IRADJ ROBERTO EGHRARI é diretor de relações institucionais da Comunidade Bahá’í do Brasil
ascom@bahai.org.br
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