Domingo, 19 de maio de 2019 Edição nº 11919 16/09/2007  










ZÉ BOLOFLORAnterior | Índice | Próxima

Ícone folclórico é tese de mestrado

ALINE CHAGAS
Da Reportagem

Mendigo, andarilho, poeta? Um estorvo ou a imagem de Cuiabá? Esses questionamentos são inevitáveis sempre que se começa uma discussão sobre uma das figuras mais conhecidas da capital mato-grossense nas décadas de 50, 60 e 70: Zé Boloflor. Tipo curioso, José Inácio da Silva, era um andarilho que chamava atenção dos cuiabanos e aqueles que chegavam para viver na Capital. Sempre irreverente, não causava mal a ninguém.

Nos anos em que os cuiabanos puderam conviver com a figura de Zé Boloflor nas ruas centrais da Capital não existiam mendigos ainda. As poucas figuras que perambulavam pelas ruas e praças, ainda em desenvolvimento, eram conhecidas como andarilhos. Foram tantos anos sentado nos bancos das praças ou esquinas e participando de procissões, que o andarilho poeta virou uma espécie de mito entre os conterrâneos.

No seu estudo para conclusão de mestrado, a professora de Comunicação Social da Universidade de Cuiabá (UNIC), Silvia Ramos, conversou com cuiabanos que moravam na Capital na época em que Zé Boloflor vivia nas ruas. Alguns dos entrevistados sequer falaram com ele durante todo o tempo em que esteve na rua. Mas todos formaram uma opinião sobre o andarilho e contaram muitas histórias sobre sua vida.

Para aqueles que não conheceram Boloflor, é muito difícil apontar a dimensão de sua presença na sociedade da Capital nas décadas em que circulou pelas ruas do Centro e do Porto. Muito religioso, era sempre visto na Catedral de Cuiabá. Em contrapartida, fã das festas de carnaval, desfila a princípio nos corsos e, mais tarde, nos blocos e escolas de samba. Conta-se a história de que Boloflor compôs diversas marchinhas carnavalescas, acompanhado apenas da sua caixinha de fósforos.

Sílvia mostrou em seu estudo que Zé Boloflor foi um boêmio e, também, um flâneur: nome dado pelo estudioso Walter Benjamim para uma pessoa deslocada, que deseja descobrir “onde ainda vibram sinais de vida”. Pouco se sabe efetivamente sobre o andarilho. Muitas das informações são realmente histórias que corriam de boca em boca nas rodas sociais das classes baixa e média. Não há registros sobre seu nascimento, sequer sobre sua morte.

Segundo Sílvia, foi interessante perceber que as pessoas têm muito mais lembranças espaciais do que temporais quando o assunto é Zé Boloflor, ou seja, todos os entrevistados se lembraram muito bem onde o encontravam, mas quase ninguém soube precisar em que ano ou década esses momentos ocorreram.

A cada linha do estudo de Sílvia encontram-se estórias totalmente diferentes sobre um dos tipos mais conhecidos dos cuiabanos. Há os que o viam sempre elegante, com direito ao uso constante de ternos. Também tem os que o intitulavam tarado, porque descobriram que o andarilho era homossexual. Mas todos concordam que Boloflor era religioso e era facilmente encontrado em qualquer evento aberto da população de classe baixa e média.



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Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto

· Meus parabéns! Belissimo trabalho pelo v  - Adriano
· Conheci e vi pessoalmente esta figura fo  - Lucelio Costa
· Parabéns filha!!!!!!!! EMOÇÃO!!!!!! A   - nelita ramos




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