Quarta feira, 17 de julho de 2019 Edição nº 11913 09/09/2007  










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Turma da Mônica não pára de crescer

O criador da turma da Mônica, Maurício de Souza, vai apresentar novidades nesta Bienal do Livro do Rio, entre 13 e 23 de setembro

Livia Deodato
Agência Estado (SP)

Uma família de negros, vinda de Salvador, está se mudando para o bairro do Limoeiro. O pai é produtor musical e a mãe é veterinária. Eles têm três filhos: um gosta de música clássica, outro joga capoeira e adora dançar axé e a menina vai se tornar uma das melhores amigas da Mônica, despertando, é claro, muito ciúme em Magali. Eles já tinham até ganhado nomes de origem africana, mas, por carregarem certa conotação religiosa, acabaram não agradando a alguns angolanos consultados pela equipe de produção. Na Bienal do Livro do Rio, entre os dias 13 e 23, o público poderá conferir o definitivo batismo da nova família, que ainda é um segredo. Essa é uma das novidades que Mauricio de Sousa, de 71 anos, criador da divertida Turma da Mônica há 48, está prometendo para este segundo semestre.

"Somos como mata-borrão. Captamos tudo o que acontece à nossa volta para canalizar em nossas criações", diz Mauricio. O cuidado na escolha do nome de personagens é só um exemplo do trabalho minucioso pelo qual o desenhista sempre primou - e passa a seus parceiros e colaboradores. "Recentemente, quando criamos o personagem português Alfacinha, tivemos um problema: o nome agradou ao pessoal de Lisboa, mas deixou o do Porto com ciúmes. A gente não consegue agradar a todo mundo... mas tentamos, pelo menos, fazer o melhor."

A mesma preocupação vale para os gibis traduzidos. Ou melhor, quando ganham nova versão. "Tradução é coisa burra. As historinhas são adaptadas, ganham algo criativo, elaborado. Faço questão de distribuir nosso material em português, porque se ele tivesse de ser traduzido para o inglês e depois para outra língua certamente daria uma ‘esfriada’ no estilo", justifica. Até o detalhe na troca da letra "r" pela "l" por Cebolinha foi pensado por Mauricio, quando os quadrinhos começaram a invadir outros continentes - em inglês, por exemplo, as crianças trocam o "r" pelo "w".

A Turma da Mônica já fala 18 idiomas e está presente em 30 países. Alcançou esses números com a ajuda do Universal Press Syndicate, instituição americana dedicada a quadrinhos e cartunistas reconhecidos em todo o mundo e responsável pela divulgação dos mesmos. Há 40 anos, Mauricio sonhava fazer parte dessa seleta lista, mas foi há pouco mais de um ano que a Monica’s Gang e o gibi inspirado em Ronaldinho Gaúcho conseguiram integrar o time liderado por Garfield e Calvin. Agora, países como Espanha, Indonésia e Coréia do Sul querem ver essa turminha virando desenho animado na TV e nos cinemas. E Mauricio está trabalhando para atender a esses pedidos.

Por falar em Ronaldinho Gaúcho, produtos como mochilas, cadernos e estojos foram criados e vendem como água... no exterior. "Estamos com problema com o personagem no Brasil. A criançada quer, mas o editor, que já passou dos 40 anos e está magoado com a última Copa do Mundo, vem rejeitando todo e qualquer tipo de merchandising do jogador", explica Mauricio.

A Turma da Mônica, que vende 2,5 milhões de gibis por mês, tem cerca de 3.500 produtos licenciados, de sabonetes a parques - além do Parque da Mônica no Shopping Eldorado, Mauricio estuda a montagem de outro em Luanda, Angola. E também uma área de lazer em Atibaia, um resort da Turma da Mônica na Praia Grande e outro parque temático em São Paulo, desta vez para "atender à choradeira do Cebolinha, com diversões um pouco mais ladicais", diverte-se. Outra novidade: os quadrinhos da turma servirão de apoio na alfabetização de chineses matriculados na rede pública. "Isso significa atender cerca de 180 milhões de crianças, equivalente à população de todo o Brasil. Não faço idéia da dimensão que isso pode tomar", declara

Pensa que acabou? Um mangá da turminha deve sair até o fim do ano e, na próxima Bienal do Livro, os fãs poderão adquirir uma coleção histórica com os primeiros números das revistas da Mônica, Cascão, Cebolinha, Magali e Chico Bento, além do livro "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", produzidas na década de 60. Não perca, pois aquilo que seria o sonho de Cremilda e Clotilde, Capitão Feio e principalmente do Dr. Olimpo pode ter um dia se tornado realidade...



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