Quarta feira, 22 de maio de 2019 Edição nº 11912 07/09/2007  










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Nomeado novo governador de MT

Corria o ano de 1978, final do governo Garcia Neto, que acabara de tomar conhecimento em Brasília do anúncio oficial da divisão de Mato Grosso. O Vale do Cuiabá inteiro experimentou ali o sabor amargo da falta de líderes que até hoje não temos e que começou em 1966 com a eleição da escola de samba Pedrossian.

Naquele final de governo de Garcia Neto começava a luta secreta para constar da famosa e esotérica lista dos possíveis escolhidos para serem indicados para nomeação ao governo estadual pelo sistema ao governo. Houve até três “emergentes sociais” daqui que tentaram apenas figurar na lista. Só para que o famoso colunista social “Jejé” publicasse seus nomes em sua coluna dominical “As Majestades”.

À época, Garcia Neto era injustamente massacrado por alguns jovens sonhadores que aqui chegaram de Goiânia, do nordeste e de Minas, em periódicos elaborados/ajudados pela oposição política, com frases estranhas para nós, mas que, fantasio, talvez tenha levado o ainda jovem Garcia a abandonar, desgostoso e definitivamente, a carreira política, mais por causa do peso da divisão cuja história de bastidores merece outro artigo a parte. Pena, sempre enfatizo isso, pois a competência, a dignidade e a honra do ex-governador nunca fora abalada, ao contrário, até hoje, se retornar, ganha qualquer eleição. Ali nasceu a lenda de que falar mal ou contra Garcia é desmentido na primeira esquina. Portanto, as mágicas elaboradas até na Internet sempre vêm à tona contra os “hackers” de nossa história.

No dia do anúncio, antes das seis horas da manhã, dirigi-me até a casa de Frederico Campos, o único que sabia quem seria o indicado. É que o Comandante do II Exército, sediado em SP, era o escolhido para ser o novo presidente da República e só não o fora por causa de uma queda em sua piscina em casa que o levou ao hospital por bom tempo com a bacia fraturada. Seu nome, o cuiabano general Dilermando Gomes Monteiro, que passou a exercer outra importantíssima missão estratégica no sistema vigente. Era tio de Frederico Campos. O general Figueiredo foi, então, o escolhido para comandar a nação.

Durante a noite, véspera do anúncio oficial, festas foram intensas em vários pontos de Cuiabá, centro nevrálgico do poder. Na casa de Vicente Emílio Vuolo estavam as mais destacadas pessoas de nosso mundo social, político e militar. Gente da gente que abraçavam Vuolo pela certeza de sua indicação, já que era senador da República, justamente na reta final da redemocratização.

Passei em frente da casa do filho de grande amigo e histórico político cuiabano, Ênio Carlos de Souza Vieira, o ainda jovem Carlos Avelino de Souza Viera e notei que o motor de seu carro estava ligado e com motorista dentro. Aguardei um pouco e como ele não aparecia, perguntei ao motorista, velho amigo meu, que me respondeu que ele estava com o carro em funcionamento e ouvindo o rádio que anunciaria a qualquer momento o nome do novo governador de Mato Grosso.

Se anunciassem o nome do Vuolo, ele “cantaria” o pneu para a esquerda até a casa deste. Caso fosse o Frederico era só “disparar” para a direita até a casa dele. Tenho certeza absoluta de que foi apenas mais uma brincadeira do motorista por sermos, todos, amigos e colegas.

Ao chegar à casa de Frederico, percebi que somente estavam na pequena sala, ele, seu pai, o irmão Paulo, sua mulher Ione, seu filho Fred e três irmãos da Ione. Momento após, Brasília anunciava oficialmente o nome do novo governador de Mato Grosso, engenheiro Frederico Carlos Soares Campos. Mal deu tempo de abraçar o grande amigo. O que vi em seguida foi quase em câmara lenta e, como um filme de alegria totalmente mudo, sem nada ouvir, silêncio absoluto, carros chegavam e freavam até rodopiando, fogos de artifícios explodiam, povo que chegava até pelo telhado, pulando dentro da casa pequena, praça lotada em menos de um minuto...

Certa vez, Vuolo me desabafou sobre isso. Política e socialmente. Confidenciou-me que ele estava sendo carregado pelos “amigos” – e citou o nome deles, um por um – quando foi anunciado o nome de Frederico. “Largaram-me no ar”, metáfora usada por experientes políticos como ele. “Minha casa ficou vazia em menos de trinta segundos”. A sorte é que o destino o presenteou com a lendária e eterna chama mais olímpica dos anseios mais cuiabanos de nossa linda história que, como D. Aquino ou Rondon, Vuolo é o “pai da ferrovia Vicente Vuolo”. Para sempre.



* PAULO ZAVIASKY é jornalista e está no “24horasnews” e na Rádio Natureza de Chapada(MT) com rede de emissoras autorizadas



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