Arquivo do Rock Brasileiro em Cuiabá
A exposição, focada nas décadas de 50, 60 e 70, já passou por Brasília e São Paulo e faz sua estréia em festivais no Calango
Pedro Acosta*
Especial para o Diário de Cuiabá
No fim de semana do dia 31 de agosto Cuiabá vai celebrar o rock atual do Brasil no Festival Calango. Tanto em termos de exposição quanto de criatividade, o rock brasileiro encontra-se num bom momento que, entretanto, é continuação de algo que começou há décadas. As criativas e bem-sucedidas bandas que vão se apresentar nos três dias de Calango estão inseridas numa história de rock nacional que vem mesmo de antes da explosão dos anos 80, de Legião Urbana, Barão Vermelho. Mas, com a exceção de ícones como os Mutantes, Roberto Carlos e Raul Seixas, pouco se fala do rock feito aqui nos anos 50, 60 e 70.
Pois a exposição Arquivo do Rock Brasileiro toma para si essa função. Cuiabá vai ser a terceira cidade do país a receber a mostra, que é patrocinada pela Petrobrás. E, no Calango, será a primeira vez que ela será montada num festival. A idéia é que, até o fim do ano, outros festivais brasileiros recebam a exposição. “Percebemos que realmente o ideal é levar o Arquivo ao público e não esperar que o público vá a um museu saber das origens do nosso rock”, diz o organizador da mostra, André Cagni.
À disposição do público cuiabano estarão fotografias, gravações, imagens de publicações importantes e capas de discos. O Arquivo do Rock Brasileiro será montado dentro da Cidade das Artes, como é chamada a estrutura do Festival Calango, no Museu do Rio. Nas paredes, fotos raras dos anos 50, 60 e 70, saídas dos acervos de fotógrafos consagrados como Mario Luiz Thompson e Conceição Almeida, do apresentador de TV dos anos ‘60 Antonio Aguillar e do Museu da Imagem e do Som de São Paulo.
Exposição já foi vista por mais de 6 mil
Nas fotos, a história do rock no período, que também poderá ser acompanhada numa linha do tempo: indo de 1955 a 1979, ela apresenta os fatos mais importantes de cada ano. Haverá um painel com as capas de discos mais relevantes e, se “ver a música” não for suficiente, o visitante poderá ouvi-la também. Mais de 600 gravações poderão ser buscadas e ouvidas num computador. Em sua maioria, essas faixas foram digitalizadas especialmente para o projeto, com a ajuda do Instituto Moreira Salles. Tem de Nana Caymmi ao rock rural de Zé Rodrix, passando pelo mutante Arnaldo Baptista. Será possível também manusear um livro com recortes de jornal e filipetas que documentam essa primeira fase do rock brasileiro.
Com a montagem da mostra no Calango, Cagni acredita que “o Arquivo cumpre sua missão de resgatar e dar visibilidade aos artistas que foram precursores do rock brasileiro, mostrando-os à nova geração de roqueiros”. A exposição, de acordo com suas estimativas, já foi vista por 6 mil pessoas. Ela começou em maio, durante a Feira de Música Independente, em Brasília, onde ficou por três dias. Entre 10 de julho e 5 de agosto, ocupou o Museu da Imagem e do Som de São Paulo.
Mas a exposição não é só física, o Arquivo do Rock Brasileiro está online. Em www.arquivodorock.com.br , o internauta encontra biografias e discografias de mais de 250 artistas. Toda essa informação também estará disponível pro visitante do Arquivo no Calango.
O abrangente trabalho de pesquisa é comandado pelo jornalista Ayrton Mugnaini Jr., que é curador do Arquivo.
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