Domingo, 18 de agosto de 2019 Edição nº 11890 12/08/2007  










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Origem está em impacto cultural

Da Reportagem

Para a pesquisadora Jacqueline Santos, do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, não é possível considerar apenas um fator como causa predominante para a alta mortalidade infantil entre os xavantes. Todos eles, porém, estão relacionados ao choque com a sociedade branca e à perda da identidade cultural.

“A assimilação da nossa cultura prejudicou a saúde indígena de muitas formas. Trouxe, por exemplo, alimentos que não faziam parte da dieta tradicional. Introduziu práticas sedentárias que contradizem o perfil nômade que sempre caracterizou a etnia”, explica.

Segundo ela, o confinamento nas áreas demarcadas e a crescente degradação ambiental do entorno fizeram reduzir a oferta de alimentos nas aldeias. E a adoção de políticas assistencialistas por parte do poder público só fez agravar o quadro.

“Criou-se um vínculo de dependência. Os índios foram se habituando a esperar a ajuda, a cesta básica. Muitos não plantam mais. E a caça está cada vez mais difícil. O resultado é que, se o governo atrasa a ajuda, todos sofrem, principalmente as crianças”.

No aspecto sanitário, também há fatores culturais a considerar. A substituição das moradias coletivas por residências unifamiliares de alvenaria, segundo ela, teve um impacto negativo sobre a condição das ladeias.

“Antes, os índios procuravam locais distantes para fazer suas necessidades. Hoje, utilizam os fundos da casa de alvenaria. É preciso, portanto, investir em saneamento, para impedir a contaminação do solo e dos rios”.

Para a pesquisadora, parte das mortes atribuídas à desnutrição pode, na verdade, ser provocada por infecções alimentares. “A criança bebe a água ou come um alimento contaminado, tem uma infecção e acaba morrendo desnutrida ou por desidratação. A causa original, no entanto, foi sanitária”.

Os números atuais são graves, mas podem não representar a realidade. A subnotificação e a incorreção nos dados, segundo ela, são muito grandes. “As projeções são minimalistas. É muito provável que a taxa real de mortalidade infantil seja ainda mais alta do que a admitida oficialmente”. (RV)



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