Quarta feira, 20 de março de 2019 Edição nº 11890 12/08/2007  










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Experiência precoce

Namoro, ao invés de serviços profissionais, para iniciação
sexual masculina tem provocado paternidade na adolescência


Geraldo Tavares
Omar, 29, teve o primeiro filho com 19 anos. Hoje, separado, cria com a ajuda da mãe Guilherme, Felipe e Bruna. Gosta tanto que deseja ter ainda mais três
KEITY ROMA
Da Reportagem

Quando recebeu a notícia de que a namorada de apenas 16 anos estava grávida, Omar Almeida Ernandes Júnior entrou em pânico. Na época, ele havia acabado de completar a maioridade, estava namorando há dois meses, morava com os pais, não trabalhava, e ter filhos era um plano para um futuro bem distante. “Pensava em constituir uma família com uns 29 anos”, conta. Passado o susto, o rapaz se revelou um pai e tanto. Trocou as festas noturnas pelas fraldas e mostrou que a paternidade na adolescência exige dedicação e coragem.

“Um filho é tudo. Eu não tinha horário para nada, nem emprego, mas a responsabilidade surgiu naturalmente”, afirma. Aos 28 anos, Omar já tem três filhos e conta que sua vida ganhou um novo sentido. O rapaz teve de começar a trabalhar com aluguéis de maquinário agrícola, levou a namorada para morar com ele na casa dos pais e, com a ajuda da mãe dele, o casal cuidava do bebê. Quando havia possibilidade, faziam programas de adolescente. “Abri mão de muita coisa para me dedicar à criança”.

Hoje, ele vive em função de Guilherme, de 9 anos, de Felipe, 6, e Bruna, que tem 5 anos. A médica especialista em saúde da família e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que participa de um estudo sobre saúde e gravidez na adolescência, Vanja Bonna, relata que na maioria das vezes o pai precoce não fica infeliz com a chegada da criança, mas que muitos meninos não fazem como Omar. Agem de maneira indiferente.

“Não são eles que vão cuidar. Então, mesmo que a relação dure pouco tempo, como geralmente acontece, não se preocupam muito”, aponta ela. Grande parte dos rapazes que têm filhos na adolescência está na idade entre 16 e 19 anos. “Eles têm vergonha do corpo e são moleques até os 15. As meninas começam mais cedo, com 13, 14. Os meninos ainda demoram um pouco mais, salvo as exceções”, destaca.

A impressão de que os garotos estão sendo pais mais cedo como um reflexo da iniciação sexual precoce, não é real, segundo a médica. “Entre os garotos, não variou muito a idade em que eles começam a ter relações sexuais. A diferença é que antes eles saíam com mulheres mais experientes, que muitas vezes eram pagas. Hoje, eles têm a namoradinha e tudo fica mais fácil. Pensam que nunca (a concepção de um bebê) vai acontecer com eles”, avalia.

Quando o resultado do exame de gravidez dá positivo, a história muda. “Ele descobriu que ela estava grávida e ficou apavorado. Chorava e falava que a vida tinha acabado. A gente não esperava, porque ele sempre dizia que ia casar com 29 anos e, antes dos 19, isso já tinha acontecido. Nenhum dos dois sabia trocar fralda direito”, relata a mãe de Omar, Enilda Passos Fernandes.

Com a ajuda dos pais de ambos, eles conseguiram superar as primeiras dificuldades. “Levei um susto muito grande quando meu filho teve uma crise de bronquite. A minha mãe me ajudou muito, para nossa sorte ela sempre esteve por perto”, relata Omar. Passaram-se os anos e o casamento chegou ao fim. “Ela estava grávida da nossa última filha, tivemos o bebê, mas optamos pela separação”.

RELACIONAMENTO - A médica aponta que quando a gravidez acontece, os relacionamentos tendem a não durar muito. “São jovens que estão começando a viver. Eles não conhecem nada ainda e são muito infantis. Poucos conseguem prosseguir com a relação por muito tempo. Não passa pela cabeça deles continuar com aquela mesma pessoa para o resto da vida”, analisa.

Os três filhos de Omar agora passam o dia na casa da avó paterna e dormem na casa da mãe. O atual desafio do pai é dar atenção para os três. “Eles exigem muito. Se eu estou sentado no sofá vendo televisão e um deles senta perto de mim, logo vêm os outros dois. Eles ficam em cima o tempo todo e eu tenho que me desdobrar para atendê-los”, diz.

O apoio da família torna-se fundamental para auxiliar os jovens pais. “As vezes a gente precisava cuidar deles e do bebê. Quinze dias depois que o Guilherme nasceu, o Omar foi com a namorada para uma boate. Na hora de amamentar eu ligava, eles vinham para casa e depois os dois voltavam para a festa”, recorda Enilda.

A avó coruja ainda cuida dos netos. Ela relata que se surpreendeu com a desenvoltura do filho após o início da paternidade. Omar, que está solteiro, gostou tanto de ser pai, que quer mais três filhos. “Eu ‘vesti a camisa’. Passaram as dificuldades e hoje é muito bom ver a alegria de uma criança quando ela diz que te ama”, declara.



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· Parabéns Omar pelo dia de hoje, pelos se  - Jose Leopoldo Vieira da Silva




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