Aeronáutica estuda ampliação de aeroporto em Jundiaí
Da AE - São Paulo
Apesar de o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) ter definido nesta segunda-feira (30) que apenas a aviação geral (jatos executivos e táxis aéreos) deve ficar no Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro, em Jundiaí, a Aeronáutica já tinha encomendado estudos sobre a possibilidade de ampliação do local para receber também a aviação comercial. Hoje (30) mesmo, segundo fontes da Aeronáutica, oficias do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e do Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP) no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, estavam estudando possíveis rotas aéreas para que um aeroporto não interferissem no outro.
Na semana anterior ao acidente com o Airbus da TAM, até o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, esteve em Jundiaí para avaliar as condições da área. "Acho difícil uma ampliação, pois, de um lado, temos a Serra do Japi e, do outro, a rodovia", disse o secretário Estadual de Transportes, Mauro Arce, responsável pela administração do aeroporto. "Não tem lugar para estacionar aeronaves grandes. Hoje, cabem no máximo cinco Boeings", argumentou o secretário.
Antes mesmo de o Conac se pronunciar contra a construção imediata de um terceiro aeroporto na Grande São Paulo, o Ministério Público Estadual (MPE) informou, no início da tarde de ontem, que pretende abrir um procedimento de apuração para acompanhar os possíveis impactos ambientais e de ocupação do solo urbano que a construção trataria. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Cesar Rebello Pinho, disse que o MPE tomou essa decisão, principalmente, por considerar que existem soluções menos danosas para o meio ambiente da região, como a construção da 3ª pista no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e a ampliação do Aeroporto de Viracopos, em Campinas.
"O prefeito Elói Pietá (Guarulhos) nos informou que para construir a terceira pista seria necessário remover apenas 5 mil famílias na região", disse Pinho. Segundo o procurador-geral, o principal problema é que quase toda o local do entorno da região metropolitana é constituída de áreas de proteção ambiental e de parques, que são considerados como "reserva da biosfera" pela Unesco. Estão, assim, protegidas as serras do Mar, da Cantareira e do Japi, além dos mananciais e as nascentes do Rio Tietê. É na área de mananciais da zona sul de São Paulo que passa o Trecho Sul do Rodoanel. "Que está sob nossa investigação", disse Pinho.
A área da biosfera começa no Vale do Ribeira, vai até a cidade de Louveira, envolve a cidade de Jundiaí e segue até a divisa com Minas. Desce, então, para Jacareí, no Vale do Paraíba e chega até Caraguatatuba, rumando pelo litoral até Peruíbe. Ao todo, ela envolve 1,6 milhão de hectares.
O superintendente da regional Sudeste da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Edgard Brandão Júnior, disse que a construção da terceira pista de Guarulhos, como pede o Conac, não estava nos planos imediatos. "Mas, se foi definido como prioridade, vamos trabalhar para que isso ocorra."
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