Quinta feira, 09 de setembro de 2010 Edição nº 11863   











BRASIL 12/07/2007 20:40Anterior | Índice | Próxima

PP, PR e PTB cobram cargos no segundo escalão

Da AE - Brasília

Além da pressão do PMDB pelo preenchimento dos cargos no segundo escalão, o governo assiste agora à rebelião de um grupo nada desprezível de aliados: a trinca PP, PR e PTB, que soma 103 deputados. Na terça-feira, eles ajudaram a oposição a aprovar a modificação na Medida Provisória 372 que permite refinanciamento de dívidas rurais. Graças aos votos desse bloco, foram incluídos entre os beneficiários os produtores rurais inadimplentes. O governo perdeu por 12 votos.

No dia seguinte à votação, o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), traçou um cenário sombrio sobre as insatisfações em seu partido e nos outros dois aliados, em café da manhã com o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. As legendas cobram cargos no segundo escalão e liberação de emendas parlamentares. No fim da tarde, o ministro recebeu no Palácio do Planalto os líderes do PR, Luciano Castro (RR), do PP, Mário Negromonte (BA), e do PTB, Jovair Arantes (GO). Segundo um dos participantes, foi uma "conversa dura", mas o ministro "prometeu o céu". Pela manhã, Mares Guia já tinha prometido a Múcio empenho para desatar os nós, especialmente na equipe econômica, para conseguir liberação de emendas.

"Nós temos um peso importante de decisão na Casa e, diferente do PMDB, votamos unidos. Temos compromisso com o presidente Lula e com o programa de governo, mas queremos nossos pleitos atendidos para manter a base unida", disse Castro. Múcio acha isso natural. "Não é chantagem. São pleitos legítimos de partidos aliados", defendeu.

No PR, há dois motivos para a rebeldia. Dos 41 deputados 21 não tiveram nenhuma emenda ao Orçamento atendida pelo governo. A bancada está impaciente também com a demora na nomeação de algumas diretorias do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) e das chefias das unidades estaduais. Os deputados também estão inconformados com a indefinição sobre o ex-governador do Ceará Lúcio Alcântara, que trocou o PSDB pelo PR, para onde levou quatro deputados. Alcântara foi indicado para uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal, mas a reivindicação do PR está esquecida no Planalto.

A preocupação de Múcio se explica porque em agosto, depois do recesso parlamentar, a prioridade absoluta do governo será a aprovação da CPMF e da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Os mais de cem deputados do PP, PR e PTB poderão dar dor de cabeça ao governo na votação, sem falar nos 90 parlamentares do PMDB.



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