Quinta feira, 09 de setembro de 2010 Edição nº 11863   











ECONOMIA 12/07/2007 19:20Anterior | Índice | Próxima

Brasil pressionará a China para flexibilizar câmbio

Da AE - Brasília

A pedido do governo dos Estados Unidos, o governo brasileiro lutará nos fóruns internacionais para que a China "flexibilize" a sua taxa de câmbio. A informação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega. "O secretário do Tesouro americano (Henry Paulson) nos convidou a ajudá-lo nessa tarefa", disse. Paulson teve um encontro com o presidente Lula e com Mantega na quarta-feira. "O Brasil declarou seu interesse em ser mais atuante nessa questão do câmbio. Nós vamos levar isso a nível de negociação de Estado", acrescentou, indicando que a atuação do governo brasileiro será feita em conjunto com o governo americano.

Mantega disse que adotará uma posição firme e clara sobre o assunto já na próxima reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), marcada para outubro. "Eu me manifestarei de forma mais veemente contra isso" (a manutenção da taxa de câmbio de forma artificial pelo governo chinês), afirmou.

Ele pretende também colocar o assunto em discussão na reunião do G-20, grupo dos países em desenvolvimento, do qual a China também participa. O Brasil, lembrou Mantega, é o coordenador do G-20 financeiro, onde esta questão será tratada.

As informações do ministro da Fazenda foram prestadas durante audiência pública realizada hoje na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e em entrevista após o evento Mantega fez duras críticas ao que chamou de "artificialismo" do câmbio chinês. Segundo ele, "a China tenta ganhar vantagem comercial por meio da taxa de câmbio e não pela melhoria da produtividade de sua economia".

Para o ministro, a atual vantagem competitiva dos produtos chineses poderiam desaparecer se o câmbio daquele país não fosse mantido artificialmente desvalorizado. "Se a taxa de câmbio da China fosse valorizada em 30%, eles não seriam competitivos no setor têxtil", observou.

Mesmo enfrentando as dificuldades atuais com a competição dos produtos chineses, principalmente nas áreas de têxtil, calçados, artefatos de couro e móveis, Mantega disse que o caminho do artificialismo cambial não interessa ao Brasil. "Nos recusamos a jogar dessa maneira", afirmou. "Mas se houver abuso vamos coibí-lo com as armas que forem necessárias", acrescentou.

A taxa de câmbio na China é definida pelo governo e, mesmo com a obtenção de saldos comerciais recordes ao longo dos últimos anos ela é mantida fixa, no mesmo patamar. Depois de uma longa luta, o governo dos Estados Unidos conseguiu que o governo chinês fizesse uma pequena flexibilização, mas que foi considerada insuficiente por todos os demais países.



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