Jornada exaustiva leva braçais ao uso de anfetaminas e drogas
Da Reportagem
Do ponto de vista humano, jornadas exaustivas nos canaviais provocam envelhecimento precoce, problemas graves de coluna, sangramentos nasais devido à exposição intensa ao sol, vômito, dor de cabeça, câncer, alergias, entre outros males. Com o agravamento de que, nestes ambientes, o acesso a médico é luxo impensável.
Segundo Inácio José Werner, do Centro Burnier Fé e Justiça, para o corpo suportar essas jornadas intensas, as anfetaminas são usuais nas lavouras, principalmente fora do Estado. Documento expedido pelo MPT, aponta que aqui trabalhadores estão usando crack, pílulas e maconha.
O professor Bertoline alerta que a corrida pelo etanol está gerando uma “cegueira” em nome do lucro e a desconsideração com os direitos humanos, e a omissão sobre os impactos ambientais devem ser levados em consideração. Os dois enfoques, no entanto, têm tanta repercussão internacional quanto à crise do combustível.
O MPT e o Centro Burnier Fé e Vida admitem que algumas usinas estão se adequando e que o objetivo é mudar este cenário de dor, às custas do qual o Brasil oferece este álcool barato e de qualidade. Até mesmo porque, para que Mato Grosso seja aceito no mercado internacional do álcool, deverá cumprir normas quanto às exigências ambientais e a legalização da mão-de-obra. Em outubro do ano passado, uma audiência pública tratou do assunto.
Está previsto para o dia 28 de maio, um protesto. O Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo irá entregar um manifesto ao governador Blairo Maggi, que há 1 ano, tem nas mãos o plano estadual mas não homologou ainda. (KW)
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