Sexta feira, 24 de novembro de 2017 Edição nº 11765 15/03/2007  










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Nós, o mundo e o etanol (final)

Gostaria de encerrar esta série de três artigos resumindo algumas constatações e percepções em torno do assunto etanol, gerador dessa virada que ainda não completou três meses de vida e já afeta profundamente todas as expectativas mundiais. No Brasil, nem se fala. Em Mato Grosso será um desafio imenso, porque o estado anunciou alguns entraves ambientais que beneficiam profundamente Mato Grosso do Sul e Goiás. O assunto não termina aqui, até porque está apenas começando. Estes artigos apenas são genéricos e iniciais em torno do assunto.

De qualquer modo, algumas questões precisam ser ditas, como se segue.

Os americanos são donos de 40% da frota de veículos do planeta, mas o álcool responde por apenas 2,5% do mercado local de combustíveis. Pelos planos do Departamento de Energia dos Estados Unidos, até 2030 essa participação subirá para 30%, o que representa o consumo de impressionantes 230 bilhões de litros - ou 14 vezes a produção brasileira de álcool combustível prevista para este ano. O etanol é a principal alternativa ao petróleo segundo o Programa de Biomassa do Departamento de Estado.

Ainda assim, dificilmente algum outro será capaz de tirar a liderança brasileira nesse campo, pelo menos no curto prazo. O Brasil tornou-se uma espécie de meca na produção em larga escala de combustíveis renováveis graças a uma perfeita combinação de clima, extensão territorial e reservas de água. A produtividade é de longe a maior do mundo. De cada hectare de cana plantada no país, produzem-se 6.800 litros de álcool. Nos Estados Unidos, hoje o maior produtor mundial de etanol, o álcool é feito de milho, e cada hectare da cultura gera 3.200 litros de álcool - abaixo da metade do rendimento brasileiro. O preço da produção nacional é igualmente imbatível. O litro custa cerca de 20 centavos de dólar, ante 47 centavos do álcool de milho americano e 32 centavos do álcool de cana produzido na Austrália.

E, assim como aconteceu com os setores de autopeças e de têxteis brasileiros na década de 90, com a abertura das importações, a maior parte dos empresários brasileiros do etanol enfrenta o momento de definir qual será seu papel no futuro.

Na seqüência do aumento da produção brasileira de etanol, o interior de São Paulo tende a ser ocupado pela cana, em seguida, Minas Gerais, Goiás e, por último, Mato Grosso. Contudo, na medida em que avançar a produção do etanol para esses estados, seguramente avançará o capital financeiro externo, ora fazendo joint-ventures com as destilarias nacionais, ora adquirindo o seu controle acionário, ora implantando mega-projetos. Tudo isso reduzirá a atual pressão ambiental externa motivada por interesses econômicos, reduzindo-a à pressão acadêmica, porque o capital externo avança como rolo compressor.

E, ao final, quando a última fronteira brasileira agricultável de Mato Grosso for ocupada, certamente será feita já com o capital externo produzindo em larga escala. O nosso papel não irá muito além de defender o que nos restar defender, como o meio ambiente, a economia sócio-ambiental e a identidade. O mais, será globalizado. Promessas de oportunidades e de riscos.



* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM

onofreribeiro@terra.com.br



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