Sábado, 25 de março de 2017 Edição nº 11764 14/03/2007  










ONOFRE RIBEIROAnterior | Índice | Próxima

Nós, o mundo e o etanol (2)

Para se compreender a importância da descoberta do etanol como alternativa mundial ao petróleo, é preciso ver primeiro os preços. Em 2000 o barril de petróleo custava US$ 27, US$ 37 em 2004, US$ 54 em 2005 e US$ 75 em 2006. A crítica vigente no mundo é a de que acabou o tempo do petróleo barato. Além do mais, o petróleo se tornou uma commodity política acasalada às crises políticas, religiosas e étnicas pelo mundo afora.

No mesmo espaço de tempo, as exportações do álcool brasileiro saíram de 95 milhões de toneladas em 2000 para 545 milhões em 2001, 780 milhões em 2002, 1 bilhão e 100 milhões em 2003, 2 bilhões e 600 milhões em 2004, 2 bilhões e 500 milhões em 2005 e em 2006.

Em função de fatores como os preços do petróleo, o aquecimento global motivado pelas emissões de gás carbônico, e os custos, a tendência é a de que a produção de álcool no mundo chegue a números muito expressivos nos próximos anos. Foi de 41 bilhões em 2004, 50 bilhões em 2005, 54 bilhões em 2006, e estima-se 58 bilhões em 2007, 61 bilhões em 2008, 66 bilhões em 2009 e 70 bilhões em 2010.

A estréia da Cargill no mercado brasileiro de álcool, citada no artigo de ontem, é o exemplo de uma das mais impressionantes transformações em curso na economia nacional. As usinas de álcool brasileiras, há séculos, fizeram parte de um cenário que era símbolo do atraso, estão hoje no epicentro de uma revolução energética que envolve todo o planeta. No ano passado, o mercado brasileiro de etanol movimentou 6 bilhões de dólares. Em 2010, deve chegar a 15 bilhões - quase o equivalente ao faturamento atual do negócio de telefonia celular. Seria um equívoco comparar o rápido crescimento do setor com o movimento vivido pelas usinas nas décadas de 70 e 80, quando o governo brasileiro, à base de fartos subsídios, criou o Proálcool, programa oficial de etanol. Desta vez, não é o braço estatal a impulsionar o mercado - mas o próprio setor privado. Além disso, agora o que se vislumbra não é apenas a demanda de carros brasileiros, mas de todo o mundo.

O álcool entrou na agenda de governantes, empresas de tecnologia e, principalmente, de investidores interessados nas grandes oportunidades que o setor tende a oferecer daqui para a frente. O homem mais rico do mundo, Bill Gates, fundador da Microsoft, comprou 25% da Pacific Ethanol para produzir álcool de milho nos Estados Unidos. Especula-se que concretize a aquisição de uma usina de etanol no Brasil. Larry Page e Sergey Brin, do Google, estiveram em janeiro no interior de São Paulo para conhecer a produção local e analisar oportunidades. Outro bilionário, o investidor húngaro George Soros, fechou em fevereiro a compra da usina Monte Alegre, em Minas Gerais. Em 2006, o setor de etanol deve receber investimentos de 9,6 bilhões de dólares, entre construções de novas usinas, aquisições e expansões.

Li ontem uma frase muito emblemática a respeito do etanol neste momento: “Embalados pela sede mundial de combustível verde, consultores e corretores trocam os elegantes escritórios nas metrópoles e se deslocam para o interior em busca de usineiros interessados em fazer parcerias ou vender seus negócios”.

O assunto se encerra amanhã.



* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM

onofreribeiro@terra.com.br



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