Sexta feira, 24 de novembro de 2017 Edição nº 11763 13/03/2007  










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Nós, o mundo e o etanol (1)

De que o etanol – o álcool carburante – está se tornando a mais provável alternativa ao petróleo, não parece mais haver dúvida. Com ele, o Brasil sai da periferia da economia mundial para o centro do debate e do controle da energia renovável, derivada da cana.

Mas tem riscos e muitas variáveis. Na semana passada a poderosíssima trade norte-americana Cargill, a maior comercializadora de alimentos do mundo, assumiu o controle da Cevasa, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A Cargill pretende produzir exclusivamente álcool combustível, o etanol. O fato em si não parece tão revelador, a menos que se projete que empresas gigantes dos Estados Unidos farão a mesma coisa: comprarão o controle das usinas de álcool para competir no mundo e ter o controle do novo combustível. A Bunge, outra gigante semelhante à Cargill, já está no mesmo caminho e deverá anunciar a primeira aquisição nas próximas semanas. O mesmo farão a ADM e outras.

Nos Estados Unidos o etanol é produzido a partir do milho, que recebe um forte subsídio do governo para proteger os produtores cujo custo é maior do que o da cana. O que está aguçando o apetite de tanta gente é a projeção de que o mercado internacional de álcool, hoje ainda modesto, crescerá exponencialmente nos próximos anos. Nos últimos meses, vem se consolidando a percepção de que a era do petróleo barato está perto do fim.

A aposta é que a frota mundial de automóveis terá, necessariamente, de adotar a mistura de gasolina e álcool nos próximos anos, seguindo o modelo pioneiro do Brasil. A indústria automobilística mundial já aderiu em massa aos veículos bicombustíveis, que permitem o uso tanto do álcool como da gasolina, área em que o Brasil inovou há uns dois anos. Portanto, do ponto de vista tecnológico, as condições para o sucesso do etanol estão equacionadas. O que falta, agora, é que mais países adotem o novo combustível.

Ainda assim, dificilmente algum outro será capaz de tirar a liderança brasileira nesse campo, pelo menos no curto prazo. O Brasil se tornou se uma espécie de meca na produção em larga escala de combustíveis renováveis graças a uma perfeita combinação de clima, extensão territorial e reservas de água. A produtividade é de longe a maior do mundo. De cada hectare de cana plantada no país, produzem-se 6.800 litros de álcool. Nos Estados Unidos, hoje o maior produtor mundial de etanol, o álcool é feito de milho, e cada hectare da cultura gera 3.200 litros de álcool - abaixo da metade do rendimento brasileiro. O preço da produção nacional é igualmente imbatível. O litro custa cerca de 20 centavos de dólar, ante 47 centavos do álcool de milho americano e 32 centavos do álcool de cana produzido na Austrália.

Encerro este primeiro artigo deixando a primeira suposição perfeitamente possível: por falta de logística e de investimentos em tecnologia o Brasil poderá perder a curto prazo o controle do etanol para as empresas gigantes mundiais, especialmente dos EUA.



* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM

onofreribeiro@terra.com.br



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· Sobre o etanol ainda há muito a ser desc  - Eryllen Pires




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