Sábado, 18 de novembro de 2017 Edição nº 11763 13/03/2007  










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Jean Baudrillard

Pensar é algo que anda fazendo falta nos dias de hoje. Parece que o tempo anda curto para isso e a velocidade espantosa da tecnologia da informação, com sua enxurrada verborrágica, até certo ponto, abrevia essa vocação humana que tem muita serventia.

Então, pense agora mesmo e responda: Quem são os grandes pensadores deste mundo moderno? Onde estão eles e de que forma têm contribuído para com a humanidade nestes dias em que o pragmatismo se assemelha a uma palavra de ordem?

Gostaria muito que um pensador moderno me respondesse isso. Jean Baudrillard. Mas não vai dar. Ele morreu na semana passada, na França, seu país de origem. Era sociólogo, poeta e fotógrafo. Andava debruçado sobre estudos que envolviam, entre outras coisas, os impactos do desenvolvimento da tecnologia.

Não sou um grande estudioso da filosofia e seus derivados, mas, vez ou outra, me pego encantado com esse conhecimento. E foi numa dessas ocasiões que conheci esse francês, normalmente, tachado de polêmico, se bem que boa parte daquilo que a mídia classifica como polêmico, advém da preguiça dos jornalistas de tentar entender mais profundamente alguma teoria, conceito ou coisa desse tipo.

Estava de bobeira em casa, zapeando entre os canais da minha TV paga, quando me deparei com um sujeito bem velhinho, carcomido pelo tempo, cuja voz e olhar exalavam sabedoria. Era uma longa entrevista e quis o destino que eu plugasse o canal, justamente, quando ele começava a discorrer sobre política. “A política é a arte de inserir o mal na ordem natural das coisas”, disse Baudrillard. Uma frase emblemática e muito verdadeira. Daquelas que servem pra gente parar e refletir sobre ela.

Isso aconteceu há quatro ou cinco anos e de lá pra cá me tornei fã desse pensador. Seu trabalho foi a principal fonte de inspiração para que os irmãos Wachowski concebessem a trilogia Matrix.

Baudrillard deveria ser leitura obrigatória pelo menos para os profissionais de comunicação, que não podem se perpetuar como estações repetidoras no ofício de lidar com a informação. É preciso pensar antes de fazer isso.

Irônico e espirituoso, Jean Baudrillard incomodava bastante e, volta e meia, cunhava frases de efeitos multicolaterais. “A publicidade é o cafetão da cultura” ou “Quando um líder político pretender ser um escritor e um escritor pretender ser um líder político, podemos esperar o pior”. Para terminar: “Boa literatura não tem nada a ver com bons sentimentos, com correção política. Literatura não tem relação com responsabilidade”.



LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário



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· Sem dúvida, Baudrillard é uma daquelas c  - Marlons de A. e Silva




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