“Bife” sai da UTI e passa bem no PSMC
Contando, em rápidas palavras, sua história de vida, artilheiro mato-grossense desmente o boato de que teria morrido e se orgulha de não mais beber
Geraldo Tavares
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| | Hoje, Bife ostenta um Chevett branco, 86 e só, além do orgulho de ser lembrado como craque |
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KEKA WERNECK
Da Reportagem
O boato de que um dos maiores artilheiros do futebol mato-grossense tinha morrido ontem fez rir o acamado José Silva de Oliveira, 57 anos. “Bife”, para os fãs. Na última sexta-feira, vítima de uma cirrose hepática, herdada do alcoolismo e de muito cigarro, o ícone dos antigos campeonatos locais, de um tempo em que brilhavam Mixto e Operário, foi levado às pressas ao box de emergência do Pronto-Socorro de Cuiabá (PSMC). Ontem, depois de sair da Unidade de Tratamento Intensivo, já na enfermaria masculina, desmentiu o boato e contou sua história, que começa quando era menino pobre, passa pelo atleta bem sucedido e chega aos dias de hoje, no homem empobrecido, mas sem perder o humor.
Nos campos, Bife era evocado como a “fúria negra”. Só no Verdão emplacou 92 gols, um recorde ainda mantido. Na vida, soma uns 800. A paixão pelo futebol começou cedo. Quando remonta à época das “peladas”, 12, 13 anos, lembra também do episódio que eternizou seu engraçado apelido. “Eu tive que sair na vida muito cedo para ganhar sustento. Engraxar sapato, vender pães, carregar malas. Daquela vez um capitão do Exército me chamou para entregar marmita”, conta.
“Estava com pressa para jogar futebol e tropecei no caminho. A marmita caiu e a tampa abriu e eu estava para morrer de fome e o que eu vi ali? Um bife enorme”, narra o atleta, fazendo gesto, sem se importar com o soro na veia. “Tinha uma padaria ao lado e planejei tudo. Entrei e pedi água. Sabia que o dono ia buscar água lá no fundo. Enquanto ele fez isso, catei o maior pão que tinha. Fui esconder atrás de uns tijolos e arrumei o sanduíche. Quando estava comendo, passou um colega e disse: você está comendo o bife da marmita. Eu disse: não, estou só descansando”. Na hora da escolha dos times, quem estava no par ou ímpar era o tal colega. Ele ganhou e pediu: eu quero o Bife. “Mas aí eu zanguei, não devia ter zangado, bastou isso para o time todo gritar Bife, Bife. E nunca mais tive outro nome”.
O craque jogou no Misto e no Operário, Comercial de Campo Grande e em diversos outros clubes brasileiros. Em Portugal, onde viveu por 1 ano e 7 meses, compôs as equipes do Clube do Porto e Belenence. “Na época, ganhava R$ 120 por mês, mas gastei tudo, porque sou burro”, lamenta. Hoje ele é casado com Regina, 34, com quem tem uma filha de 7 anos, Rita de Cássia. Mas de seu primeiro casamento, tem mais 5 filhos.
Bife, que não é aposentado e trabalha como fiscal de ônibus no terminal André Maggi, em Várzea Grande, das 24h às 5h, ganhou um casa popular da prefeitura de Várzea Grande, que vale R$ 10 mil, em novembro de 2005. Ostenta um Chevett branco, 86. E só. E o orgulho de estar há 1 ano sóbrio e ser reconhecido como craque por onde passa.
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