Domingo, 23 de fevereiro de 2020 Edição nº 11714 12/01/2007  










* ONOFRE RIBEIROAnterior | Índice | Próxima

Os bandidos migram

O aperto que os governadores dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo estão armando contra a violência no Sudeste vai produzir uma migração em massa de bandidos de lá para estados interioranos como Mato Grosso. Os governadores do Nordeste já iniciaram idêntico movimento. Nos dois casos, a violência saiu do controle e o aparato de segurança pública existente está fora de combate.

No caso do Rio de Janeiro, a omissão política e a corrupção política e policial acabaram com a possibilidade de uma segurança minimamente aceitável. Falar de São Paulo é dispensável.

Porém, os bandidos do PCC e do Comando Vermelho têm feito incursões em Mato Grosso. No fim do ano passado, foram presos três bandidos do PCC que planejavam assaltar bancos em Rio Branco, Quatro Marcos e Mirassol do Oeste. Foram presos, mas a justiça os liberou imediatamente. Só um foi preso e enviado para São Paulo. Há e houve outros casos. Há dois anos, 22 bandidos assaltaram o Banco do Brasil em Peixoto de Azevedo, no nortão do estado, foram presos e a justiça os liberou imediatamente, apesar de portarem 600 quilos de munição e dezenas de armas ilegais.

Os bandidos do Sudeste são pós-graduados e doutorados quando comparados com os nossos ladrões pés-de-chinelo. Mas eles virão, porque sabem da fronteira seca de 700 km com a Bolívia, sabem da inexperiência da polícia mato-grossense para lidar com gente desse calibre. E sabem da facilidade de fazer dinheiro e cocaína com carros roubados e com seqüestros. A possibilidade de cometerem grandes assaltos e atravessarem a fronteira boliviana é iminente.

Ilusão pensar que esse tipo de ladrão globalizado não tem planejamento. Um oficial da PM contou-me ontem detalhes sobre os manuais de operações que eles possuem. São profissionais e assim se vêem. Exercem uma atividade coordenada e com objetivos claros de tomada de um tipo de poder crescente sobre a sociedade e da construção de um estado de medo.

Na década de 80, o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, sofreu pressões e decidiu incursionar em Mato Grosso. Bandidos assaltaram joalherias em Cuiabá, mataram inocentes e fugiram. Um desses grupos foi barrado em Rondonópolis e todos os cinco membros da quadrilha foram mortos. O então secretário de Segurança Pública, Oscar Travassos, mandou reter os corpos e esperar a sua busca. Veio uma Kombi frigorífico-funerária do Rio de Janeiro para buscá-los. Duas mulheres e um motorista. Junto com os corpos levaram o recado de que em Mato Grosso quem mais viesse seria recebido à bala.

Mas os tempos mudaram e o Comando Vermelho de hoje é violento, organizado, bem armado e trabalha com planejamento. Eles sabem que no interior do Brasil poderão agir sem o rigor que deverá vigorar no Rio de Janeiro por um tempo, até que a corrupção policial e política derrube a moralidade, como tem feito sistematicamente nesses anos.

A pergunta que fica é essa: a segurança pública em Mato Grosso estará preparada para enfrentar essa realidade perfeitamente previsível? Se estiver, ótimo! Se não, Deus nos acuda!



* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM

onofreribeiro@terra.com.br



“Os bandidos do Sudeste são pós-graduados e doutorados quando comparados aosnossos ladrões pés-de-chinelo”

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· Acho um pouco complicado um "Travas  - Tadeu Silva




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