Quinta feira, 13 de dezembro de 2018 Edição nº 9767 30/10/2000  










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Marta Suplicy vence Maluf em São Paulo

Eleita, Marta Suplicy reforça ligação com o PT


Marta Suplicy comemora após votar em São Paulo: PT avança
FÁBIO ZANINI e SÍLVIA CORRÊA
Da Agência Folha – São Paulo

Em sua primeira declaração pública depois de ser eleita prefeita de São Paulo, Marta Suplicy procurou ontem reforçar a ligação com o PT, utilizando a ironia.

“Sim, sim, sim, a dona Marta é do PT. Ela é também a nova prefeita de São Paulo", afirmou Marta, em referência ao fato de ter sido chamada repetidas vezes durante o segundo turno de “dona Marta do PT" por Paulo Maluf.

A prefeita acrescentou dois “sim" de improviso - na versão escrita do discurso, a palavra constava apenas uma vez.

O fato de Marta pertencer ao PT foi mencionado por Maluf na tentativa de explorar a rejeição que parte da população tem à legenda.

“O PT sai das eleições fortalecido. Este PT mais maduro e responsável e defensor ferrenho do sistema democrático e do socialismo moderno", afirmou a prefeita. “O desempenho do partido na eleição presidencial de 2002 depende do desempenho da administração", declarou.

Marta declarou que seu relacionamento com o partido será “tranquilo". O primeiro mandato do PT na cidade (1989-92) foi marcado por disputas entre a prefeita, Luiza Erundina, e o partido.

“Agora, temos a caneta na mão e podem ter certeza que não vai ter briga. A gente tem tido relacionamento muito bom", afirmou.

Evitando fazer promessas, Marta disse apenas que sua primeira medida após tomar posse será promover uma “limpeza concreta" (atacando problemas como iluminação e pichações de muro) e “contra a corrupção" na cidade.

“Um compromisso posso ter: da transparência absoluta do que vou encontrar e do que vamos fazer", afirmou. Ela não quis fazer comentários sobre eventuais erros da primeira gestão petista. Marta disse ainda que seus principais projetos sociais serão implantados no primeiro ano.

Ao lado do marido, Eduardo Suplicy, e de seu vice, Hélio Bicudo, Marta chegou ao diretório, na Vila Mariana, às 18h35. Do lado de fora, 500 militantes cantavam e gritavam palavras de ordem.

Marta voltou a dizer que não tem ainda secretários definidos para seu governo: “Vai ser um governo amplo. Vamos fazer um secretariado, que não está pensado, regido pela competência e compromisso com nossas propostas".

O único anúncio feito pela prefeita foi de que Rui Falcão, coordenador de sua campanha, será também coordenador da equipe de transição, que deverá se reunir com o atual prefeito, Celso Pitta.

Ela reiterou que as pessoas que a compuserem não serão necessariamente secretários. Marta afirmou que só a partir da posse poderá ter a real dimensão do estado das finanças municipais: “No começo de janeiro teremos idéia do que encontramos. Vamos implementar nossos projetos no começo da gestão, mas o alcance vai depender do que vamos descobrir".

A prefeita agradeceu o apoio do governador Mário Covas (PSDB), a quem classificou de generoso e disse esperar ter bom relacionamento com o governo federal. “Espero que o governo federal se porte como governo estadual. O presidente mora e vota nessa cidade", afirmou, em referência à tentativa de renegociar os termos da dívida da cidade com a União.

A prefeita disse ter confiança de que haverá bom relacionamento com a Câmara. Ela defendeu o nome de José Eduardo Martins Cardozo para presidir a Casa.

Durante todo o dia, Marta foi visitada em sua casa por várias lideranças nacionais do partido. A ausência mais sentida foi a de Lula, a quem Marta voltou a criticar ontem por suas declarações preconceituosas sobre homossexuais da cidade de Pelotas (RS): “É frase típica de macho brasileiro, que fala em bar. É brincadeira de mau gosto, mas não tem homem brasileiro que não faça", afirmou. Segundo Dirceu, Lula passou o dia todo em sua casa, em São Bernardo.



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