Eco-empreendedorismo
O empreendedorismo é hoje uma palavra de uso freqüente. É tema de treinamentos comportamentais, de livros de auto-ajuda, já se tornou disciplina e área de estudo em estabelecimentos de ensino superior. Fala-se mesmo em fazê-lo obrigatório em ensino básico para que cada um desperte dentro de si o potencial empreendedor que tem. Há outra corrente que afirma ser o empreendedorismo uma característica inerente ao patrimônio genético de alguns. Uma terceira corrente enfatiza que o meio ambiente social e biofísico determina o comportamento empreendedor.
Seja qual for o fator ou, mais provavelmente, a combinação de fatores, o fato é que o empreendedor é um inovador de conhecimento, de técnica, de processo ou de produto que transforma o mundo.
Empreendedor é um sujeito movido a desafios. A paixão de realizar alguma ação é mais importante que o resultado. A auto-aprovação do resultado é mais importante que o imediato reconhecimento por terceiros. O insucesso é encarado como uma oportunidade de aprendizado. O que para muitos representa uma dose de sacrifícios, o empreendedor sente como apenas um desconforto passageiro. Ele tem comportamento diferenciado, não se situa no lugar comum, na média.
É comum pensar que empreendedor é sinônimo de empresário. O objetivo do empresário é lucro, é o “Poder” atual na forma de crescimento empresarial e acumulação de riqueza. O objetivo do empreendedor é realizar, é a busca do novo, é o “Poder” na forma de auto-aprovação atual e de reconhecimento futuro. Para o empreendedor, o lucro é apenas um dos indicadores de sucesso e não necessariamente essencial. Assim o empreendedor pode ser empresário, servidor público, líder comunitário, político, profissional liberal, pesquisador. Desafios estão em toda gama de ação humana. Sentimento de transformador do mundo, de gestor da natureza, de formador de conceitos e opiniões, de reconhecimento social é inerente à natureza humana. O Empreendedor é o indivíduo que decide realizar esse sentimento.
Nesse sentido a ação do empreendedor interfere necessariamente na “teia da vida” – na dinâmica biofísica, nos valores e idéias, no tecido social. Consequentemente ele deve estar consciente do equilíbrio dinâmico do meio onde está agindo que, em última análise, é todo o planeta terra. Isto lhe confere uma responsabilidade ética. Ele deve ser um eco-empreendedor.
A ética é em essência a busca da felicidade de toda a humanidade. Essa felicidade só é possível em ambiente de harmonia. A harmonia da natureza é um contínuo transformar alimentado pela competição entre as espécies pelos mesmos elementos químicos e pela cooperação para que esses elementos não deixem de existir. Transformadores do mundo desprovidos dessa consciência são os grandes responsáveis pelos problemas ambientais, biofísicos e sociais que temos hoje.
A solução para esses problemas não é a nostalgia, o retorno à vida pastoril. A natureza esta em contínua uma transformação. É uma eterna competição com cooperação em busca de novo equilíbrio. Desenvolvimento é uma continuada mudança de um estado de menor para um de maior bem-estar. O eco-empreendedor é imprescindível no processo de recuperação do equilíbrio ambiental. O eco-empreendedorismo nada mais é que transformar, inovar atendendo aos princípios básicos do Socialmente Justo; ambientalmente correto e economicamente viável.
* CLÓVIS NOBRE DE MIRANDA é consultor em áreas relacionadas com desenvolvimento e meio ambiente e professor titular aposentado da UFMT com doutorado pela Fletcher School of Law and Diplomacy, Tufts/Harvard University
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