Quarta feira, 20 de fevereiro de 2019 Edição nº 11604 30/08/2006  










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Escritor premiado é fã de Dicke

André de Leones, vencedor do prêmio Sesc de Literatura, com “Hoje está um dia morto”, participou de Feira de Livros em Cuiabá

Lorenzo Falcão
Da Editoria

Discreto, caladão e talentoso. Mas bom de conversa, especialmente se o assunto for literatura. Assim é o jovem escritor André de Leones, vencedor do último prêmio Sesc de Literatura, que passou alguns dias em Cuiabá onde participou da Feira de Livros que aconteceu no Sesc Arsenal. Nosso bate-papo seqüenciou a entrevista que o Ilustrado fez com Moacyr Scliar, que foi assistida avidamente por Leones. O próprio Scliar, assim que se viu livre da nossa equipe, cobrou-nos uma abordagem ao autor goiano.



E foi o que aconteceu. Porque estava no programa e porque era impossível desconsiderar a sugestão de uma celebridade literária como Moacyr Scliar. “Hoje está um dia morto” é o nome do livro de André, premiado pelo concurso nacional do Sesc, que é voltado para escritores estreantes. Concorreu com mais de 500 títulos. Editado pela Record, uma das editoras mais importantes do Brasil, com tiragem inicial de quatro mil exemplares, está vendendo bem. É o sétimo colocado na lista dos mais vendidos entre os títulos da Record e pode ser encontrado nas principais livrarias.



“No mês de abril eu estava num terminal de ônibus e ia comprar algo pra beber. Estava pagando uma vendedora, quando recebi o telefonema no celular”, relembra André sobre o dia em que recebeu a notícia de que havia vencido o concurso. Ele disse para a vendedora logo em seguida: “Eu vou abraçar a senhora, acabo de ganhar um prêmio”. André conta que começou a escrever o romance em 2003 e só o terminou em 2005. Ficou sabendo do concurso do Sesc através de um amigo e resolveu enviar os originais, despretensiosamente.



“Hoje está um dia morto” é explicado pelo autor como um romance metalingüístico sobre o suicídio. André relata que precisou criar um personagem, um escritor, para disfarçar algo supostamente autobiográfico. A trama narrada relaciona-se com dramáticas experiências que o escritor vivenciou quando, na adolescência, residiu numa pequena cidade de Goiás, Silvânia, próxima a Goiânia, onde os jovens eram praticamente massacrados por uma educação católica radicalizada.



Sua atividade literária começou pela leitura entre os 13 e 14 anos. Passou pelos gibis e se apaixonou por cinema, o que lhe levou a formar-se na sétima arte. Só que no audiovisual foi acometido por uma fixação por roteiros. Atualmente estuda jornalismo e desenvolve sua verve também através do cyber espaço http://canissapiens.blogspot.com/.



Uma pergunta típica que espreita qualquer escritor diz respeito aos autores preferidos. André cita James Joyce, William Faulkner, Dostoievski, Graciliano Ramos, Hilda Hilst, o goiano Miguel Jorge e também o mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke. “Então você conhece o Dicke”, indago feliz e surpreso. “Conheço, mas só tive acesso a dois de seus livros: Madona dos Páramos e Cerimônias do Esquecimento”, responde-me ele. Como existe uma indevassável cumplicidade entre os amantes da boa literatura, não me sobrou outra atitude a não ser providenciar para que o jovem escritor goiano recebesse pelo menos mais dois livros de Ricardo Dicke.



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