Sábado, 23 de março de 2019










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Cuiabá no Circuito Nacional de Cinema

Luis Borges o organizador do 8º Festival de Cinema e Vídeo da Capital, profetiza sobre a evolução do Cinema em Mato Grosso. Falando sobre a história da sétima arte no Estado, ele critica a inexistência de um curso de Cinema e anuncia que o estado será .


Luis Borges – O organizador do festival, da produtora de vídeo Primeiro Plano
PAOLA CARLINI
Da Reportagem

Quando se fala em cinema em Mato Grosso a primeira idéia surge: Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. E tradicionalmente uma vez por ano, por uma semana, a capital do Estado reúne o melhor da safra cinematográfica, atores de renome nacional, produtores e cineastas. Há oito anos, Luis Borges, cuiabano, cineasta, incluiu Cuiabá na rota dos melhores filmes, com isso a produção local aumentou, o cinema brasileiro ganhou e quem pensava que nosso estado era marginalizado culturalmente se enganou.

Borges anuncia que pela primeira vez desde que o cinema surgiu no Estado, os produtores dos longas metragem buscam incluir Cuiabá no Circuito nacional. “Antes nós é que lutávamos para trazer as fitas hojes eles buscam se inscrever aqui”, revelou.

Ele revela também que ainda este ano, será rodado em Mato Grosso o Longa “Preso entre as ferragens” de Fernando Bonassi. “Logo após o fim do festival iremos iniciar a pré produção”, anuncia.

E para fazer um resgate da história do Festival o Illustrado conversou com o idealizador do sonho, Luis Borges. Na entrevista ele discorre sobre as dificuldades das últimas realizações, as atrações deste ano, e a na da mais do que cinema e produção regional.



ILUSTRADO – Como surgiu o primeiro festival ?

Luis Borges – Quando eu retornava de São Paulo, em 92, depois de ter concluído uma tese de mestrado sobre a história do Cinema em Mato Grosso (de 1886 e 1969) sob o ponto de vista da imprensa local e do trabalho do Ambientalista Arne Sucksdorff, fui convidado pela reitora Luzia Guimarães, para dirigir o Cineclube Coxiponês da Universidade Federal de Mato Grosso. Antes eu trabalhava no núcleo de documentação histórico regional da UFMT. Então montei um projeto de filme sobre a expedição do Arne, e começaram e me chamar de louco pois nosso estado não tinha condições de fazer cinema, apenas vídeos, cinema é muito caro. No mesmo ano em parceria com o curador do Museu de Imagem da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, (ECA USP) tentamos realizar uma retrospectiva da história do Cinema em MT da década de 30 até os anos 70, juntamente com um seminário de Políticas Acadêmicas na UFMT. Como não conseguímos espaço buscamos ajuda da Escola Técnica Federal (ETF). Foi um sucesso mais de 800 pessoas foram assistir as peças.

Já em 93 decidi montar um projeto da Mostra Brasileira de Cinema e Vídeo de Cuiabá. Firmamos um convênio com a UFMT, prefeitura Municipal e Secretária de Estado de Cultura e Federação das Indústrias de Mato Grosso, por cinco anos e começamos o Festival.



ILLUSTRADO – A partir de que ano que a sua produtora Primeiro Plano começou a organizar o Festival ?

Luis Borges – Depois do fim do convênio com estes órgãos, em 98, mandamos um termo aditivo para renovar o acordo, nenhum deles nos respondeu a renovação então começamos a buscar outras saídas, foi aí que criei a Primeiro Plano só que por um tempo tínhamos somente a marca, não era formada juridicamente. Com o surgimento da Lei de Incentivo à Cultura, as instituições públicas se negaram a nos patrocinar. Acho que por isso até entendo por quê o convênio não foi renovado. Naquele ano o festival quase acabou, por uma insistência e vontade muito grande continuamos com a produção. Ai a empresa entrou, acho até que como diferencial, pois os trabalhos seguiram mais ageis, mais profissional. No início tudo era capenga, o pagamento era moroso, tínhamos que montar processos.

Foi assim que a saímos da Universidade, pois ela não tinha mais recursos para nada, e mesmo quando ela ainda participava do Festival a organização pagava o Teatro, 10% de nossa arrecadação era da UFMT. Atualmente colocamos a marca da Universidade por respeito, pela isntituição pois ainda acreditamos nela. Eu estive com o reitor Paulo Speller, esta semana, e ele nos disse que não tem recursos e que talvez no ano que vem a UFMT retome a promoção no Festival, não apensa como uma marca no cartaz.



ILLUSTRADO – Falando de Cinema, como está a participação dos autores locais no Festival, o que se nota é que todos os anos o número de vídeos e produções aumentam. Como é isso ?

Luis Borges – É até muito interessante, pois no primeiro ano de Festival tivemos apenas um vídeo selecionado, já no segundo nenhum foi escolhido. Este ano temos dez aprovados que serão exibidos que irão competir. No início eram peças publicitárias, pois a produção era de mercado mesmo. Hoje esse quadro se reverteu totalmente e temos profissionais que produzem cultura mesmo, com criticas, pensamento.



ILLUSTRADO – Há alguns anos existe uma frequente participação de vídeos de estudantes no Festival como você avalia isso?

Luis Borges – Isso é um agrave problema de Mato Grosso, pois a cidade já comportaria um curso de Cinema. E quem faz os vídeos hoje são estudantes de Comunicação, Radio e TV, Jornalismo e Publicidade. Não existe a carga e orientação de cinema, eles tem ainda muita técnica. Muitos buscam inspiração na Arte do Cinema. Mesmo assim a produção local deu uma virada, mas ainda tem muito a melhorar, quanto a qualidade técnica, captação de som principalmente. A iniciativa é válida pois mesmo sem o curso as pessoas tentam fazer e lutam por isso, mesmo arriscando eles tentam.



ILLUSTRADO – Quanto às atrações deste ano quais as atrações ?

Luis Borges – Eu sou apaixonado pelo Estorvo do Rui Guerra, este é um dos que vem. É um filme muito difícil, é para aqueles que gostam de babar em plástica, é um filme de requinte estético moderníssimo. Enfim é uma obra bastante inquientante.

Temos ainda o “Cronicamente Inviável”, do Sergio Bianchi, (homenageado deste ano, filmou pequena parte da fita em Chapada dos Guimarães), foi exibido em Nova York semana passada, e provocou um nó na cabeça da Crítica. Ele mexe na ferida dos problemas do país, de uma forma bem humorada, ele dá uma porrada no estômago das pessoas, quanto a solidariedade.



ILLUSTRADO – Qual a grande novidade deste ano?

Luis Borges – O festival está bastante diversificado. Temos o “Sonho de Rose”, um documetário com a Lucélia Santos, que fala da questão agrária no país, a relação dela com o movimento Sem Terra, é emocionante. Serão exibidos filmes de época. Um filme infantil como “Tainá” uma aventura na selva amazônica, a atriz vai estar presente no dia. Outro bastante inquietante é “Através da Janela” da Tatá Amaral, uma cineasta paulista desta nova geração. O filme mostra até que ponto uma mãe pode ir pelo amor de um filho, é incrível.



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