Quarta feira, 17 de julho de 2019 Edição nº 11533 04/06/2006  










TRANSPORTE DA SAFRAAnterior | Índice | Próxima

Aumento no frete agrícola chega a 50% em Paranaguá no mês de maio

JULIANNE CAJU
Da Reportagem/Rondonópolis

Depois da paradeira nos últimos 30 dias nas que interligam Mato Grosso -- por causa dos bloqueios dos produtores rurais que integraram o movimento Grito do Ipiranga e interditaram vários trechos em protesto à política econômica do governo federal e ao cenário macroeconômico desfavorável à classe agrícola --, ocorreu um aumento do custo do frete em Mato Grosso com a retomada das atividades do transporte dos grãos produzidos no Estado.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) ligado à Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), indicam um aumento de 50% no preço do custo do frete para grãos embarcados em de Rondonópolis (210 quilômetros ao Sul de Cuiabá) com destino aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), durante o mês passado. Atualmente, o frete para este trecho é de R$ 165. A cotação está elevada em R$ 55, se comparada à cotação de abril.

Normalmente o preço do frete está embutido no contrato feito entre os produtores com as tradings, responsáveis pelo transporte dos grãos até os portos. Por mais que as tradings consigam baratear o preço, para os produtores, isso é um fator de peso no custo de produção. Pois, conforme os produtores, todo o custo está embutido no valor pago pelos compradores do grão, ou seja, o preço pago pela saca, não é o valor líquido que o produtor recebe.

Traduzindo de reais para sacas de soja: Um custo de transporte entre US$ 60 a US$ 70 para os portos de Santos e de Paranaguá. O resultado desta equação indica que US$ 3,6 toneladas de sacos de soja é o custo pago pelo produtor de Rondonópolis para transportar a soja.

Este resultado quase dobra quando se aumenta a distância do transporte do grão. “O produtor da região Médio Norte e Norte de Mato Grosso, gasta cerca de US$ 6 por tonelada embarcada até Paranaguá”, aponta o diretor da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) e coordenador da Comissão de Agricultura do Sindicato Rural de Rondonópolis, Ricardo Tomczik.

Tomczik exemplifica ainda que uma produção de 50 sacos por hectare (ha) tem custo de frete no valor de US$ 180/ha, o equivalente a 20 sacas/ha de soja para transportar a produção até os portos.

A relação custo de frete versus preço da soja é o que mais preocupa os produtores rurais. Na medida em que um aumenta, o outro abaixa respectivamente, diminuindo desta forma -- somando aos outros gargalos da atividade -- a rentabilidade do negócio e aumentando o custo de produção.

Na safra 04/05 o custo do frete em Mato Grosso registrado foi de US$ 58, quando na época a soja estava cotada em US$ 270 a tonelada. Já na safra 05/06, o produtor mato-grossense desembolsou mais recursos para transportar o grão, cerca de US$ 17 a mais que na safra anterior e ao mesmo tempo recebeu menos pela tonelada da soja.



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