Terça feira, 18 de junho de 2019 Edição nº 11533 04/06/2006  










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Distribuição de renda ou xenofobismo?

Essa é a pergunta sem resposta por parte do governo local. Estrangeiros acreditam em xenofobia. Mas reforma pode estar ligada à desigualdade

RODRIGO VARGAS
Padre Bacardit acredita que as medidas que deverão ser tomadas para reforma agrária serão motivadas pela desigualdade social e não pelo
RODRIGO VARGAS
Especial para o Diário

Um país dividido entre Cambas e Collas. Bastam poucas horas em território boliviano para ser apresentado as versões mais ou menos elaboradas da concepção acima -- desde conversas informais a carros que circulam com adesivos trazendo a inscrição “Nación Camba”.

Collas são os bolivianos de maioria indígena que habitam a região dos altiplanos andinos e as terras baixas da região de Cochabamba e Chuquisaca. Os Cambas são os habitantes das terras do oriente -- nos departamentos de Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija.

Muitos consideram o atual embate sobre terras envolvendo a capital do departamento mais rico e desenvolvido, e a capital administrativa, La Paz, o reflexo de uma divisão interna que estende muito além do ponto de vista geográfico.

“O colla é maioria e, por isso, conseguiu eleger seu presidente. Nós, que geramos boa parte da riqueza deste país, mas somos sempre subjugados”, diz um agricultor boliviano, em tom agressivo. “É o que está ocorrendo agora com o ataque às terras. Eles não deixam os cambas trabalhar”.

Não é o que pensa o padre Maurício Bacardit, que desde a década de 1970 atua junto às comunidades empobrecidas de todo o território boliviano. Diretor Executivo da Pastoral Social Caritas em Santa Cruz, ele não vê vinculação entre o processo de reforma agrária e a rivalidade regional.

“Isso é uma cortina de fumaça. Utilizam essa situação, que é real, para desviar o foco de outra realidade, ainda mais difícil: a desigualdade de renda. O que está ocorrendo na Bolívia não é um embate entre cambas e collas, mas entre ricos e pobres, entre poderosos e fracos”, analisa.

Segundo ele, o Movimiento Sin Tierra boliviano surgiu da mesma realidade que fez nascer, no Brasil, o MST. “Lá como aqui, a situação é a mesma: concentração de terras nas mãos de poucos, sendo muitas delas improdutivas, servindo apenas à especulação”.

DESIGUAL -- A Bolívia está entre os três países mais pobres da América Latina. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), pelo menos seis de cada 10 bolivianos têm rendimentos abaixo da linha de pobreza.

Há também muita desigualdade: a média de rendimentos dos 10% mais ricos é 15 vezes maior do que a média dos 10% mais pobres. O grau de desigualdade, medido pelo Índice de Gini, é de 0,56 -- só perdendo para o Brasil, cuja desigualdade é das maiores do mundo.

Entre 1999 e 2001 -- mesmo período em que a produção de soja saltou quase 20% -- a população pobre cresceu 5%. “Todos os problemas políticos que tivemos nos últimos três anos derivam do aumento da pobreza. Isso produz cada vez mais conflito”, aponta o padre Bacardit.

Mesmo em Santa Cruz, onde o percentual de pobreza extrema é o menor do país, o resultado deste processo já se faz notar nas ruas. “Aumentaram o comércio informal e o desemprego”, exclama.

O padre defende uma reforma agrária ampla, mas que afete apenas áreas que não cumprem sua função social. “Os proprietários de terras que trabalham nelas e que produzem, não devem temer a reforma agrária. Eles estão fazendo um bem ao país”.



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