Quarta feira, 16 de janeiro de 2019 Edição nº 9752 15/10/2000  










JESUS CALHAO ESTEVESAnterior | Índice | Próxima

O que é vertigens, e como é definida a síncope

A vertigem se caracteriza pelo desequilíbrio corporal associado a náuseas, vômitos e outras manifestações desagradáveis que comprometem a qualidade de vida, sobretudo dos idosos, população na qual mais se manifesta.

Uma das ocorrências clínicas mais estudadas, as chamadas tonturas constituem, segundo estudos estatísticos norte-americanos, a segunda queixa mais freqüente entre a população, só perdendo para a dor de cabeça. Sintomatologia presente em uma série de patologias, a tontura é mais comum na população idosa com mais de 65 anos. Nessa faixa etária estima-se que 65% das pessoas manifestam algum tipo de alteração do equilíbrio corporal, e é ainda responsável por mais de 80% das consultas médicas ambulatórias em clínicas geriátricas.

A tontura é uma das manifestações mais presentes na vertigem, a sensação errônea, muito comum e desagradável de deslocamento espacial, resultante do desequilíbrio corporal, ela ocorre basicamente devido a uma alteração do sistema vestibular, uma estrutura hipersensível e complexa que abrange o labirinto e tem a função auditiva relacionada com o equilíbrio corporal. Esse sistema tem relações muito importantes com o cerebelo, o órgão que coordena o equilíbrio corporal é uma das doenças mais comum ligada a essa estrutura é a labirintite. “Isso não é labirintite”. Trata-se de um termo inadequado porque labirintite significa inflamação do labirinto, e nem todas as doenças do labirinto são inflamatórias.

Trata-se de um sintoma extremamente freqüente e, embora ocorra mais na população idosa, apresenta-se também em outras faixas etárias. Acomete mais as mulheres que os homens, sendo que há duas explicações para isso. Primeiro, porque a disfunção hormonal ovariana é causa freqüente de alterações no sistema do equilíbrio corporal feminino, segundo, porque a mulher parece mais propensa, sob o ponto de vista a influências psicológicas.

Existem mais de 300 quadros clínicos em que a tontura se associa a outros sintomas, e é muito comum, principalmente nos mais idosos, o envolvimento do sistema auditivo. Logo, o paciente pode ter também sintomas auditivos de diferentes tipos, tais como hipoacusia (diminuição de audição), zumbido, hipersensibilidade a sons e sensação de pressão no ouvido. Um dos fatores mais comuns que colaboram para o comprometimento do labirinto é a obesidade, é muito raro que o paciente obeso não apresente problema de labirinto, devido ao aumento do colesterol e dos triglicérideos.

Hipotensão e hipertensão arteriais são geralmente acompanhadas de quadros vertiginosos e o labirinto é extremamente sensível a influência vasculares e metabólicas.

O sistema vestibular pode ser acometido ainda por uma quantidade enorme de outras doenças como problemas traumáticos, problemas da coluna cervical e mesmo com o uso de certos medicamentos como anfiflamatórios, diuréticos e antibióticos, só para citar alguns exemplos além de que muitas doenças podem ser primárias, oriundas do próprio sistema vestibular.

O diabetes ou alterações metabólicas de qualquer natureza são casos típicos. Essa complexidade e sensibilidade explica por que um surto vertiginoso é tão desagradável e as queixas mais comuns dizem respeito a náuseas, vômitos, sudorese, palidez, taquicardia. São as manifestações neurovegetativas mais encontradas na fase aguda do que na fase crônica das labirintopatias.

Outros sintomas que podem ocorrer concomitantemente ao quadro são cefaléia, impressão de desfalecimento e quedas, escurecimento da visão, dificuldade de fixação ocular, distúrbios do sono, dificuldades de concentração mental, perturbações da memória, alucinações visuais, ansiedade, depressão e fobias.

É muito comum que, acometido por vertigem, o indivíduo de qualquer idade, sobretudo o idoso, desencadeie problemas psíquicos. O desequilíbrio corporal gera uma insegurança tal no paciente que sua vida pode resumir-se a tentar ficar em pé sem as manifestações desagradáveis decorrentes do surto.

Dos distúrbios psiquiátricos mais associados à vertigem esta o pânico que é um dos mais estudados. Esta doença guarda uma relação tão estreita com o sistema vestibular que alguns especialistas consideram a existência de dois tipos de pânico: o puramente psiquiátrico e o secundário às síndromes vestibulares (auditivas),

A boa notícia no caso da vertigem é que o arsenal médico dispõe de recursos que praticamente solucionam o problema, exceto algumas raras manifestações mais crônicas, rebeldes ou incapacitantes.

A etiologia da doença pode ser obtida mediante a história clínica do paciente e, se necessário, de exames que confirmem, por exemplo, um diabetes mellitus ou uma hipertenão arterial. As doenças primárias, uma vez tratadas, tendem a não mais repercutir no ouvido interno. Se o tratamento primário da doença não for feito, o resultado terapêutico no nível labiríntico não fará mais do que atenuar os sintomas das doenças, que voltarão a se manifestar.

Outro erro que se comete em relação aos problemas do sistema vestibular é a crença, muitas vezes reforçada por alguns médicos, de que chamada labirintite não tem cura, isto não é totalmente verdade, pois a falta de conhecimento de alguns médicos sobre a importância dessas atitudes mascaram o problema, adiam o tratamento e a conseqüente cura do paciente, seja da doença assintomática instalada, seja do próprio sistema vestibular, ou dos dois concomitantemente.

A sincope é definida como a perda de consciência de caráter súbito e transitório, acompanhada de perda do tônus postural, de recuperação plena e espontânea. É um problema médico comum, e suas causas variam de condições benignas e autolimitadas até doenças letais. A incidência aumenta com a idade sendo comum no idoso.

Sua investigação pode levar uma pesquisa dispendiosa sem qualquer esclarecimento posterior da causa em uma fração importante de pacientes.

Os mecanismos básicos deflagradores de síncope são:

1) redução súbita da pressão arterial sistêmica (hipotensão ortostática e síndromes neuralmente mediadas);

2) redução súbita do débito cardíaco (taquiarritmias, bradiarritmias, cardiopatias obstrutivas, disfunção ventricular);

3) aumento súbito da resistência cerebrovascular (hiperventilação, alcalose, aumento da pressão intracraniana);

4) cerebrovascular (aterosclerose carotidea ou vertebrobasilar, doenças da coluna cervical).

As causas de síncope podem ser divididas em cardíacas e não cardíacas. As cardíacas são: 1) arrítmicas (doença do nó sinusal, tranquicardia ventricular hipotensiva, fibrilação ventricular, taquicardia supraventricular hipotensiva, bloqueios paroxísticos, disfunção de marcapasso);

2) obstrutivas (estenose aórtica, hipertensão pulmonar, miocardipatia hipertrófica, embolia pulmonar, tamponamento, dissecção aórtica, mixoma atrial);

3) isquêmicas (infarto, isquemias transitórias). As não cardíacas são:

1) ataque isquêmico transitório;

2) distúrbios psiquiátricos;

3) hipotensão ortostática;

4) síncope vasovagal;

5) induzida por drogas;

6) hipoglicemia;

7) hipersensibilidade de seio carotídeo;

8) síncope situacional (tosse, micção, defecação).

A síncope vasovagal (causa mais comum de síncope) ocorre devido à falência dos mecanismos reflexos de controle circulatório desencadeando súbita hipotensão e bradicardia. Os fatores precipitantes geralmente são estímulos emocionais, como dor, medo, estresse, dores intensas, acompanhados de sintomas (calor, palpitações, náuseas, tonturas),

Uma boa anamnese associada ao eletrocardiograma determina a origem da síncope em 50% dos pacientes.

Em caso negativo recomenda-se acompanhamento clínico e realização de exames (holter, teste de esforço e outros) em casos recorrentes.

Em caso de cardiopatia deve-se fazer ecocardiograma ou estudo hemodinâmico. O estudo eletrofisiológico invasivo deve ser feito nos pacientes com indícios de cardiopatia e após avaliação não invasiva negativa nos pacientes com síncopes recorrentes. Se a origem não for detectada, deve-se pesquisar doenças cerebrovasculares.

Apesar da alta incidência de síncope na população, o reaparecimento acontece em apenas um terço dos casos e pacientes com cardiopatia e síncopes apresentam alto risco para morte súbita.

Procure sempre seu médico de confiança para uma orientação mais adequada, evitando sempre a auto medicação.



Dr. Jesus Calhao Esteves

Médico Cardiologista

CRM-MT 745

321-6790



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