Enfim Arcanjo volta
Desde a noite de ontem bicheiro está recolhido em uma das celas do presídio de Pascoal Ramos
| | O bicheiro João Arcanjo Ribeiro é escoltado por policiais federais no aeroporto de Várzea Grande |
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NATACHA WOGEL
Da Reportagem
Exatamente às 18h18 de ontem o bicheiro João Arcanjo Ribeiro voltou a pisar em solo mato-grossense, quando o avião modelo HS 125 da Força Aérea Brasileira aterrissou no aeroporto Marechal Rondon, depois de uma viagem de mais de quatro horas desde Montevidéu, no Uruguai.
Recebido por um aparato policial com aproximadamente 60 homens, entre policiais federais e militares, o bicheiro foi diretamente conduzido à penitenciária Pascoal Ramos, em um furgão blindado da Polícia Federal. Lá ele permanecerá isolado por 30 dias para cumprir os trâmites judiciais dos diversos processos que o aguardam há três anos.
A expectativa em torno da chegada do bicheiro a Mato Grosso durou todo o dia, em função das mais variadas informações concedidas pelos órgãos envolvidos.
Mas foi no final da tarde de sexta-feira, noite no Uruguai, que o escritório central da Interpol em Montevidéu avisou ao órgão no Brasil sobre a decisão de entregar Arcanjo às autoridades brasileiras, conforme informou o vice-coordenador da Interpol no país e responsável pela missão, delegado Glorivan Bernardes de Oliveira.
“Ontem (sexta-feira) à noite mesmo, assim que recebemos a informação, já fomos em busca da logística o mais rápido possível para empreender a missão. Prontamente a Aeronáutica nos colocou o avião à disposição e, antes do sol nascer, decolamos da base aérea de Brasília com destino a Porto Alegre, onde fizemos uma escala e, depois, a Montevidéu”, detalhou o delegado.
A chegada ao Uruguai, segundo Oliveira, foi às 12 horas, quando homens da Interpol no país, juntamente com policiais da guarda uruguaia, promoveram a entrega do bicheiro. “A viagem foi longa, cansativa. Fizemos um vôo direto até Brasília, onde chegamos às 16h30 e se procedeu uma escala técnica. No percurso de 1h20 até Cuiabá, notamos que Arcanjo permaneceu mais quieto. Ele falou da vida que tinha no Estado antes de partir, das amizades, da família e chegou a se emocionar algumas vezes”, comentou.
Acompanhado de três policiais federais da Interpol brasileira e da tripulação, o bicheiro não causou problemas durante todo o percurso, conforme o delegado. “Ele foi solícito às recomendações da escolta, sobre a conduta a bordo. Não criou problemas em momento algum”, reforçou Oliveira, informando que Arcanjo fez comentários sobre a necessidade de voltar a Mato Grosso. “Ele reconhece que era chegada hora de voltar e demonstra estar disposto a enfrentar os devidos processos legais que o aguardam. Sobre o mérito, não conversamos, para manter o devido distanciamento da atividade profissional policial”.
Participaram do procedimento de escolta de João Arcanjo nove viaturas da Polícia Federal, três da Polícia Militar (PM), além de cinco motocicletas e o monitoramento aéreo constante do helicóptero da PM.
Assim que o avião estava em solo, antes mesmo do bicheiro desembarcar, um colete a prova de balas foi levado até ele para que deixasse a aeronave, devidamente algemado.
Sua fisionomia pouco mudou nos três anos em que esteve fora de Mato Grosso. Está sem barba e, na hora do pouso, vestia roupas simples, uma camisa de manga longa, calça jeans e tênis. Exatamente às 18h35, o comboio deixou o aeroporto, seguindo para o Pascoal Ramos, onde fez um exame de corpo de delito. Arcanjo estava há 1.191 dias fora de Mato Grosso.
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