Obra feita há 1 mês precisa de reparo
O ministro do TCU, Augusto Nardes, percorreu de carro aproximadamente 1.000 quilômetros para vistoriar tapa-buracos em Mato Grosso
Secom/MT
 |
| | Ministro do TCU, Augusto Nardes pode multar ou mesmo pedir a paralisação das obras por irregularidade |
|
NOELMA OLIVEIRA
Da Editoria
Falta de planejamento, obra sem contrato com a empresa, asfalto descolando. Estas foram as constatações iniciais do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, que esteve de quinta-feira a domingo passado percorrendo in loco cerca de 1.000 quilômetros das obras emergenciais de tapa-buracos nas rodovias federais de Mato Grosso.
O programa tapa-buraco foi desencadeado pelo governo Federal no início de janeiro deste ano. O ministro foi taxativo ao afirmar que as obras estão fora de planejamento e que não poderiam ser feitas no período das chuvas.
Um engenheiro também acompanhou o ministro, além de policiais rodoviários federais. Para ele, com certeza, sem planejamento, a obra só deveria ser iniciada após passar as chuvas. Quatro analistas (engenheiros especialistas neste tipo de obra), conforme Augusto Nardes, estão novamente percorrendo os trechos para apresentar detalhadamente o quadro. Eles estão divididos em duas equipe no Estado.
Augusto Nardes foi o responsável por alertar o Dnit para a grave situação das rodovias federais do País. O alerta do ministro foi no dia 5 de outubro.
Em um trecho da BR 364, conforme o ministro, foi observado que o asfalto já está descolando. Augusto Nardes afirmou ainda que falta planilha e que este mesmo trecho sequer tem contrato com a empresa. “O que é grave”, pontuou o ministro.
“Não está havendo fiscalização da Unit”, sustentou o ministro, em entrevista por telefone, ontem à tarde. “Pelo menos não encontramos, e é uma tônica geral em todo o Brasil”, salientou Nardes.
Para o ministro, está comprovado que a obra foi fora de planejamento e não poderia ser feita no período das chuvas. Augusto Nardes disse que foi acompanhado no percurso pela Polícia Rodoviária Federal, que também o repassou algumas informações.
“Mato Grosso cresceu rapidamente e economicamente de forma muito acentuada e o Estado não montou a infra-estrutura necessária para fazer o transporte de forma correra. Próximo a Diamantino, encontrei uma carreta tombada”, narrou o ministro.
Nardes observou ainda vários trechos perigosos que necessitam de urgente duplicação, como na rodovia que liga Cuiabá a Rondonópolis. Ele alertou para o perigo constante de estradas sem ter acostamento, em várias rodovias.
Na BR 364, constatou o ministro, não funciona a pesagem de veículos.
Ele disse que de vários estados que já percorreu, a Unit de Mato Grosso tem uma das melhores estruturas. Porém, notou a falta de engenheiros para fazer a fiscalização. O ministro inovou no TCE, após sua posse em setembro, quando está pessoalmente percorrendo trechos das rodovias.
Responsável por julgar a matéria, o ministro disse que, dependendo do caso, pode multar ou paralisar as obras por irregularidades. O governador Blairo Maggi, no início do ano, foi taxativo quanto às obras neste período do ano. Maggi chegou a citar que fazer obra na chuva era jogar dinheiro fora.
|