Segunda feira, 22 de julho de 2019 Edição nº 11419 15/01/2006  










ONOFRE RIBEIROAnterior | Índice | Próxima

Estranho silêncio!

Li na edição de quinta-feira deste jornal declarações do secretário Luiz Antonio Pagot, chefe da Casa Civil do governo estadual, a respeito do comportamento da bancada parlamentar federal de Mato Grosso. Esperei para ler no dia seguinte o terremoto... que não houve!

O secretário fez acusações diretas aos parlamentares mato-grossenses, apontou falhas, fez comparações e ninguém se defendeu.

Fundamentalmente o que ele disse é que a bancada estadual é individualista e não se envolve com as grandes questões das políticas públicas estaduais. Compara a ação da bancada com as do Nordeste e chega a mostrar que a participação dos estados do Centro-Oeste no bolo da receita federal é menor do que a dos estados do Maranhão e da Bahia individualmente.

Confesso que não compreendi mesmo como nenhum dos parlamentares federais de Mato Grosso se manifestou apesar mesmo de serem acusados de “a nossa representatividade inexiste”. Noutro ponto ele foi claro ao afirmar que “tem parlamentares antigos que tratam de interesses correligionários e não se atrelam ao programa de política pública estadual. Trabalham pela manutenção do patrimônio eleitoral, por interesses imediatos, em detrimento da política do Estado”.

Acrescenta ainda a incapacidade de mobilização da bancada e uma certa alienação. Se Mato Grosso que lidera o Centro-Oeste age assim, perde espaços, a própria região perde espaços para esforços políticos mais afinados de outras regiões brasileiras.

Traduzindo: não adianta nada o imenso esforço para produzir, ampliar a produção, inovar métodos e tecnologias de produção, se a ação parlamentar, absolutamente indispensável no processo das relações políticas, não evolui na medida da realidade e não obtém o necessário em retornos de investimentos e em políticas públicas regionais.

Nesses 30 anos em que vivo em Mato Grosso, de fato, nunca existiram bancadas tão distantes no Estado. Está muito claro que o grau de envolvimento da bancada com os problemas conjunturais do estado é zero.

A fraqueza da bancada se deve em parte à dimensão territorial de Mato Grosso e dos problemas. Mas a falta de um planejamento estratégico parlamentar cria isso mesmo, fatias de soluções com endereços pessoais que acabaram por se tornar satélites de um poder político feudalizado.

Acho que o silêncio da bancada à crítica pública do secretário-chefe da Casa Civil é mais grave do a própria denúncia. Ou pareceu aceitação tácita, ou nada mais lhe importa!



ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM

onofreribeiro@terra.com.br



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· Porque o Pagot não fala dos tempos que e  - Jose Frederico
· Estranho mesmo, professor Onofre Ribeiro  - Jose Leopoldo Vieira da Silva




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