Quarta feira, 23 de abril de 2014 Edição nº 11351 23/10/2005  










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Arma clandestina em duas horas

Diário acompanhou a procura de um comerciante por um revólver ilegal, que em pouco tempo estava em suas mãos

Maurício Barbant/DC
O revólver Taurus, calibre 38, cano curto, adquirido pelo comerciante ao preço de R$ 200
Da Reportagem

É fácil comprar uma arma de fogo no mercado paralelo de Cuiabá. Nesta semana, a reportagem do Diário acompanhou um comerciante interessado em adquirir um revólver para proteger seu estabelecimento. Bastaram três ou quatro telefonemas para que ele recebesse um Taurus, calibre 38, cano curto, ao preço de R$ 200. A operação toda, do início ao fim, consumiu alguns telefonemas e não durou mais do que duas horas. O nome do comerciante será mantido em sigilo.

Se ele quisesse outra, teria conseguido mais. Depois de efetuada a operação de aquisição do Taurus cano curto, ele recebeu dois retornos de ligações de pessoas interessados em vender mais armas. Uma oferta era relativa a um Colt Cavalinho, Calibre 32, cano longo, pelo preço de R$ 250, enquanto que outra disponibilizava para venda um Smith Wesson, calibre 38, cano longo, por R$ 300.

Com o Estatuto do Desarmamento em vigor, o Diário acompanhou toda a negociação com o único objetivo de revelar a facilidade que existe para se adquirir uma arma em Cuiabá.

Ao contrário das bocas-de-fumo que mudam de local a cada batida da polícia, o mercado paralelo de armas de fogo funciona nos mesmos locais há anos. Um determinado bar perto da praça Alencastro, os bares e prostíbulos do bairro Porto, um conhecido local de venda de carros usados e a praça Ipiranga são alguns dos endereços onde é possível comprar, com grande facilidade, uma arma de fogo carregada de munição.

A revelação é de um policial civil, cuja identidade também será mantida em sigilo. “Nesses locais é fácil comprar uma arma, mas não apenas arma e munições. Há também venda de drogas, pistoleiros para se contratar, qualquer coisa”, explicou.

“No pagode da praça Ipiranga não precisa nem pedir. É só chegar e esperar. Passa um e oferece arma, outro oferece droga”, continuou o policial, ressaltando que, geralmente, as armas são novas e em bom estado de conservação. Algumas são trazidas do Paraguai ou da Bolívia, mas pelo menos 90% são revólveres calibre 38 comuns, de fabricação nacional.

Profundo conhecedor do mercado paralelo de armas em Cuiabá, o policial faz uma analogia entre o revólver calibre 38 e os carros populares. Ele revela, por exemplo, que o 38 é o fusquinha da bandidagem. Ou, para usar um modelo mais recente, ele compara o “tresoitão” ao carro da Wolkswagem modelo Gol. “É mais caro que o carro popular da Peugeot, mas vende mais porque as peças são mais baratas. Com arma é a mesma coisa. Vende mais a arma que tem munição mais barata e mais fácil de encontrar no mercado paralelo”.

Partindo desse princípio, o policial lista, por ordem decrescente, as armas ilegais mais vendidas em Cuiabá. Depois do revólver 38 vem o de calibre 22, a pistola 380, e, por último, empatam a pistola 765 e o revólver 32.

Um revólver 38 comum, ilegal, na praça de Cuiabá, pode ser comprado com R$ 200 a R$ 300. Já um 38 especial, com maior capacidade de tiros, chega a R$ 500. Segundo os policiais, a mesma arma (a especial), se comprada nas lojas, com registro, custa R$ 1.500. Um revólver calibre 22, o segundo mais procurado no mercado ilegal em Cuiabá, pode ser comprado, na clandestinidade, pelo mesmo preço do popular 38.

A pistola calibre 380, mais procurada que a 765, pode ser encontrada por preços que variam entre R$ 800 a R$ 1.000. A 765, mais barata, pode ser encontrada, nos pontos de venda de armas ilegais, por até R$ 500. O revólver calibre 32, menos procurado, é vendido por R$ 100.



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· Porque proibir compra de armas. Só os ma  - PAULO VITOR FERREIRA
· Qualquer arma serve para a tentativa de   - Dagmar Ramalho
· essas pessoas de bem que entrega sua arm  - carla silva
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· um dia vi uma repostagem que o ministro   - joão carlos
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· estamos vivendo um pais que so favorece   - carlos antonio
· eu acho que é uma covardia e traição do   - carlos antonio
· NO BRASIL: NAO TEM NESCESSIDADE DE DESAR  - juarez
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· Porque desarmar o homem de bem? Para o   - Mario Angelo
· ele ta certo em defender o que é seu que  - marcos
· eu moro em um dos bairros de porto segur  - jalton leal silva
· eu que uma arma nao te defende dos bandi  - moraes
· Inexplicavelmente todos sabem o que acon  - Sormany Jorge Muniz Paes
· Eu garanto que essa arma que o comercian  - Gilberto
· A destruição não tem fim. Já o outro olh  - geraldo mendes
· Será que Referendo vai atingir essas ar  - Marcos Negretti
· Ridícula a matéria veículada no dia do r  - Delson Moura

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