Sábado, 15 de junho de 2019 Edição nº 11337 06/10/2005  










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Acareação vira troca de acusações

A multinacional GTech de pagar propina para renovar um contrato com a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 650 milhões em abril de 2003

HUDSON CORRÊA e LUIZ FRANCISCO
Folhapress – Brasília

Em acareação feita ontem na CPI dos Bingos, com troca de acusações e bate-boca, o advogado Rogério Tadeu Buratti e Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, acusaram a multinacional GTech de pagar propina para renovar um contrato com a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 650 milhões em abril de 2003. A multinacional opera loterias da Caixa.

Buratti disse que a empresa ofereceu propina de até R$ 16 milhões ao PT e que pelo menos R$ 6 milhões foram pagos via empresa MM Consultoria Jurídica, sediada em Belo Horizonte (MG).

Em resposta na acareação, o gerente da GTech Marcelo Rovai disse que Buratti e Waldomiro Diniz são "um bando de bandidos" e tentaram extorquir R$ 6 milhões da multinacional, que se negou a pagar.

Outro presente na acareação, o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirmou acreditar que Waldomiro tentou realmente achacar a GTech. Afirmou, porém, não conhecer Buratti.

O ex-advogado da GTech Enrico Giannelli, o quinto presente na acareação, reforçou a versão de Buratti. Disse que Rovai mandou ele procurar Buratti no início de 2003. Segundo Buratti, a intenção da GTech era conseguir apoio do ministro Antonio Palocci (Fazenda), do qual foi secretário em 1994.

Giannelli também reforçou o argumento de Waldomiro ao entregar um documento à Polícia Federal e encaminhado ontem à CPI dos Bingos. É um organograma com os nomes do ministro Palocci, do ex-ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), e de Waldomiro.

Esse documento indica que Cachoeira deveria, a serviço da GTech, convencer Waldomiro a interferir junto a Dirceu na renovação do contrato.

ACAREAÇÃO

Rovai disse na acareação que Waldomiro era um desconhecido da GTech até ser apresentado por Cachoeira para uma reunião no dia 13 de fevereiro. No dia 1º de abril, Waldomiro, segundo Rovai, foi à GTech e disse que o contrato só seria assinado com a contratação de um consultor. Não disse o nome. No dia 2 de abril, Buratti apareceu, ainda segundo a versão de Rovai, e pediu R$ 6 milhões para permitir a renovação do contrato.

"Mentira. Ele [Rovai] me ofereceu de R$ 500 mil a R$ 16 milhões e depois baixou para R$ 6 milhões e pagou para a MM Consultoria", gritou Buratti para Rovai.

"E o senhor é por acaso tolinho para não aceitar R$ 16 milhões", rebateu Rovai.

A MM Consultoria recebeu da GTech R$ 5 milhões, e não R$ 6 milhões, de 17 de outubro de 2002 a junho de 2003, segundo dados da CPI dos Bingos. A multinacional afirma que foi um pagamento por serviços advocatícios.

Ontem, Rovai afirmou que "foi uma irresponsabilidade" a GTech pagar a quantia a uma empresa desconhecida. Afirmou que o caso tem que "ser investigado", mas disse não acreditar que o dinheiro se referia a pagamento de propina.

"Vocês [da GTech] estão escondendo alguma coisa que têm de explicar à opinião pública", afirmou Waldomiro. "Se eu era um desconhecido [da empresa], o que estava fazendo no organograma [entregue por Giannelli onde a GTech lista o nome de membros do governo que deveriam ser procurados para renovação do contrato]", afirmou Waldomiro.

O ex-assessor da Casa Civil disse que seu nome era usado em esquema de lobby pela GTech. A informação teria partido de Cachoeira. Por essa razão, Waldomiro teria procurado a GTech para esclarecer o caso e não para pedir propina.

ACUSAÇÕES

"Vou até tirar os óculos para olhar em seus olhos. Eu comuniquei isso", protestou Cachoeira. "Sim", respondeu Waldomiro. "É uma desfaçatez", afirmou o empresário de jogos. "O senhor é um chantagista", disparou Waldomiro.

"Esse bando de bandidos tentou tirar dinheiro da GTech e não conseguiu", afirmou Rovai referindo-se a Giannelli, Waldomiro e Buratti. "O senhor mente o tempo todo, não tem moral para falar isso", protestou Waldomiro.

Buratti ao ser chamado de bandido e "sem-vergonha" pela terceira vez levantou-se para sair da acareação, mas foi contido pelo presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), que mandou Rovai não repetir mais a acusação.

Na acareação sobrou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que criticou anteontem a CPI, por julgá-la fora de foco. "Eu não concordo. O presidente Lula perdeu uma oportunidade de ficar calado. Ele não está cuidando de seu governo e não tem que se meter em assuntos do Senado", disse Efraim.

"Lula tem que ficar com a cabeça baixa, baixinha", emendo o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).



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