Quinta feira, 18 de abril de 2019 Edição nº 11299 21/08/2005  










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Ronaldo é citado em conversas de suspeitos

Folhapress – Rio

Uma escuta telefônica, com autorização judicial, em conversas de dois jovens da classe média de Niterói, presos por tráfico de ecstasy por meio da internet, mostra comentários sobre uma festa na casa do atacante Ronaldo, da seleção brasileira, envolvendo consumo de drogas e sexo entre grupos.

A investigação do SRE-Niterói (Serviço de Repressão a Entorpecentes) grampeou Tiago Tauil, 23, e Amon Lemos, 19, irmão da apresentadora de TV Lívia Lemos, ex-namorada de Ronaldo.

Os dois foram presos em julho, acusados de integrar quadrilha de dez rapazes - sendo cinco universitários - de classe média alta do Rio de Janeiro, Niterói e Búzios que vendia ecstasy, skank, LSD e metanfetaminas em festas e por meio de sites na internet.

No grampo, Amon afirma que Ronaldo seria um freguês em potencial para a quadrilha liderada por eles.

"Dá pra gente fazer um dinheiro nele”, disse Amon ao cúmplice, segundo um dos investigadores relatou à reportagem.

A escuta foi feita em maio deste ano, no mesmo período em que Ronaldo separou-se da modelo Daniella Cicarelli. O delegado Luiz Marcelo Xavier, da SRE-Niterói, disse que poderá convocar Ronaldo para depor, mas que ainda está pensando no caso.

A assessoria de imprensa do atacante Ronaldo, do Real Madrid, informou que ele não comentaria conteúdo de grampos telefônicos. Afirma que Ronaldo "não tem nenhuma relação” com traficantes que "sua voz não foi registrada em nenhuma ligação”.

Pode haver também uma citação a Ronaldo, segundo investiga a polícia, em um grampo feito pela Polinter no rádio Nextel do traficante Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, chefão das drogas na Rocinha.

Na escuta, um homem identificado como Negão fala com Bem-Te-Vi sobre a subida no morro de um jogador, que ele identifica como R-9, a mesma expressão usada pela Nike em linha de produtos vinculados a Ronaldo.

"Já tá aqui em frente ao Fashion Mall... Bill, tu te ligou no papo? O R-9?”, diz Negão.

"Tô ligado, manda esperar”, responde Bem-Te-Vi. "Então, desce logo. O cara já está pertinho. Quer que eu vá até aí te buscar? O amigo está perguntando onde quer que eu leve ele?”, pergunta Negão. "Lá na associação [de moradores]”, responde Bem-Te-Vi.

DEPOIMENTO

A Polinter ouviu anteontem o pagodeiro Gérson Dupan, do grupo Kiloucura, que também aparece em escutas telefônicas conversando com Bem-Te-Vi.

Dupan disse que fazia shows na Rocinha e manteve contatos com Bem-Te-Vi, pois o traficante "gosta muito do Kiloucura” e contratou o grupo várias vezes.

O pagodeiro disse que recebia pelos shows, mas nunca diretamente de Bem-Te-Vi. "Cheguei a ganhar R$ 500,00 por um show”, disse Dupan.

O delegado Luiz Alberto Andrade, titular da Polinter, disse que vai aprofundar as investigações sobre a relação de Dupan com Bem-Te-Vi e que o pagodeiro será novamente chamado para depor.

"Se for comprovado um vínculo, de fato, o Dupan poderá ser indiciado por associação com o tráfico de drogas”, afirmou o delegado.



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