Quarta feira, 17 de setembro de 2014 Edição nº 11130 29/01/2005  










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Avião é encontrado após 19 anos

Quase duas décadas depois, família descobre destroços e fica com a certeza de que José Chiquetto sobreviveu ao acidente

A Notícia Digital
O monomotor Cessna de José Chiquetto, encontrado parcialmente destruído no meio da floresta
CARLOS MARTINS
Da Reportagem

Após quase 19 anos, a floresta revelou metade de um mistério a um filho e a uma mãe, no último domingo. Um avião que havia desaparecido em maio de 1986, no norte do Estado, foi oficialmente identificado como sendo o do piloto José Chiquetto. Apesar de contar na época com apenas 7 anos, Carlos Eduardo Chiquetto reconheceu imediatamente o Cessna 210 – prefixo PT JYM - como sendo o avião em que o pai decolara na manhã de 2 de maio de Itaituba, sul do Pará, onde a família morava. Ao lado da mãe, Ivone Chiquetto, 47, e de outras pessoas que participaram da expedição até o local, Eduardo encontrou um avião cuja estrutura estava preservada, apesar de ter ficado sujeito à ação do tempo. Afora isso, nenhum sinal indicava que alguém tenha morrido no local. Se ele não morreu no acidente, então o que teria acontecido?

O pouso forçado do avião em meio à mata mostrou a perícia do piloto, à época com 34 anos. Dono de uma agência de aviação, ele ganhava a vida com seus dois aviões – tinha outro Cessna idêntico ao que caiu – usados para o transporte de homens que sonhavam em ficar ricos. Na década de 80 a febre do ouro movimentava milhares de trabalhadores nos garimpos da região norte de Mato Grosso e sul do Pará. Chiquetto levava também para os garimpos combustível, alimentos e motores. Naquela manhã de 2 de maio, ele decolou do aeroporto de Itaituba rumo a uma fazenda que adquirira em São José do Xingu. Sozinho na aeronave, transportava duas moto-serras (para desmatar uma área da fazenda) e dois tambores de combustível vazios, com capacidade de 200 litros. Ao sobrevoar a região do Parque Nacional do Xingu, o avião começou a apresentar problemas. Instantes depois caiu na selva, próximo do rio Iriri.

José Chiquetto deixou sinais de que saiu com vida do acidente e, talvez, em boas condições físicas. Tanto é que tomou precauções em relação à preservação do aparelho. Arrancou o capô do motor e colocou no lugar do pára-brisas, que havia quebrado, para tentar proteger o painel. “Ele deve ter pensado que, como estava bem de saúde, deveria ter o cuidado de preservar o avião e que seria fácil ser achado”, imagina o filho Carlos Eduardo. A maleta, em que o piloto levava documentos e que sempre estava consigo, não foi encontrada, assim como uma pistola 765. Dos dois pentes, apenas um foi encontrado descarregado dentro do avião. As moto-serras também foram localizadas por mãe e filho: uma debaixo da asa, quebrada, e a outra dentro do porta-malas.

Como é mais fácil localizar no meio da mata um avião do que uma pessoa, todo piloto sabe que o protocolo manda os sobreviventes ficarem próximos à aeronave por pelo menos dez dias. O filho acredita que seu pai deve ter feito isso, mas como depois desse tempo o socorro não veio, ele resolveu sair em busca de ajuda. “Ele sobreviveu à queda. E isso se tornou a parte mais fácil. A sobrevivência na selva é que seria a parte mais difícil”, diz Eduardo, admitindo que o pai não deve ter sobrevivido aos perigos da selva. Há 19 anos, segundo os fazendeiros, a região em que o avião caiu ficava distante uns 200 quilômetros dos primeiros lugares habitados. Além da mata fechada, havia o perigo das onças e das cobras venenosas.

Segundos registros da Aeronáutica, José Chiquetto chegou a fazer um contato com um piloto da Vasp que sobrevoava naquele momento a região de Manaus. Segundo o piloto, José Chiquetto pedia socorro. Deu tempo para que ele informasse que estava a mil pés de altura e que o avião estava caindo na selva. Só que outro piloto de Cuiabá entrou na freqüência para saber o que estava acontecendo justamente no momento em que ele passaria as coordenadas. Depois, tudo silenciou.

A Aeronáutica está definindo se a perícia no avião será feita por uma equipe do Serac de Brasília ou do Pará. Existem também dúvidas se onde o avião caiu é território mato-grossense ou paraense. A família quer a permissão das autoridades para resgatar o avião.



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