Terça feira, 18 de dezembro de 2018 Edição nº 11110 06/01/2005  










PATRIMÔNIO CULTURALAnterior | Índice | Próxima

Rasqueado se torna símbolo de Mato Grosso

Ritmo surgiu em Várzea Grande, em 1870, com o final da guerra do Paraguai: herança dos prisioneiros paraguaios em MT

Da Redação

No final de 2004, foi criada pela Assembléia Legislativa a Lei 8.203, que declarou o rasqueado como ritmo musical símbolo de Mato Grosso.

De autoria do presidente da Assembléia, deputado José Riva (PTB), a lei, segundo ele, foi pensada como um instrumento para conscientização cultural.

Para o cantor e compositor Milton Pereira Pinho, o Guapo, a nova lei é um dos passos mais importantes para os músicos cuiabanos.

"Esperamos que esta Lei traga um pouco mais de consciência cultural e valorização de nossos cantores e compositores", ressalta.

Guapo é organizador da Rua do Rasqueado. O evento foi às quintas-feiras, na Praça Caetano Albuquerque, do dia sete de abril a 28 de outubro do ano anterior.

Com o objetivo de continuar reunindo as famílias e amigos para dançar e cantar junto com diversas bandas e cantores, Guapo já está com projeto de retornar com a Rua do Rasqueado em sete de abril próximo. Em um balanço das atividades, Guapo lembra que foram 30 eventos em sete meses, gerando 53 empregos diretos e muitos indiretos.

O projeto trabalhou na projeção das velhas composições dos grandes mestres, como mestre Ignácio, Albertino, Luiz Cândido, Luiz Marinho, José Agnelo, Tote Garcia Honotio Simaringo, entre outros. E também na nova geração, como João Eloy, Pescuma, Roberto Lucialdo, Gilmar Fonseca.





HISTÓRIA DO RASQUEADO



No ano de 1870 acaba a Guerra do Paraguai e, na região de Várzea Grande, onde estavam confinados os refugiados da guerra e os prisioneiros da retomada de Corumbá, começaram a se integrar junto com os ribeirinhos mato-grossenses para o convívio do dia-a-dia.

Nessa interação de simbioses práticas, a viola-de-cocho e o violão paraguaio começaram a tocar uma nova música e, assim, nasceu o Rasqueado (mistura de siriri mato-grossense e polca paraguaia).

O novo ritmo surgiu para a exaltação da volta à vida e para sepultar as lágrimas do grande conflito que determinou o rumo da história latino-americana.

Por ser uma música de origem humilde, ficou discriminada até a proclamação da República, quando se começou a perceber o seu jeito contagiante e envolvente, já chamando, na época, de "limpa banco" e começaram a toma-la emprestado para eleição e festas de santos, como, aliás, é feito até hoje.

O rasqueado ganhou dianteira, pois envolveu os músicos e a elite governamental ao mesmo tempo. Assim, a música começou a aparecer nos "tchá-co-bolo" dos saraus, ao lado de Beethoven, Mozart, Chopin e outros.

Na década de vinte do século passado, o negro Mestre Ignácio, do Bairro Baú, começa a executar o Rasqueado na sua banda marcial própria, ao lado do Jazz, Blues, Chorinho, Valsa, Maxixe, Fox-trote e outras expressões em voga na época.

Dunga Rodrigues e Zulmira Canavarros começam a desenvolver o Rasqueado no piano solo.

A música começa a receber influência forte da música brasileira da capital do Rio de Janeiro, e os trovadores de verso vão dando lugar ao solista das orquestras típicas.

O Rasqueado toma a sua forma de música instrumental e o naipe sax, trombone e trompete, torna-se instrumento padrão de banda de Rasqueado, assim como acontecia com o chorinho, samba, dobrado, etc, que ficaram marcados com tais instrumentos.

Uma outra modalidade de Rasqueado se desenvolve também na Baixada Cuiabana, apoiado na sanfona de quatro e oito baixos, conhecido como "pé-de-bode", e, por ter desenvoltura nos seus teclados (chamado ponto) para outras escalas, o Rasqueado aproxima mais da Polca Paraguaia e do Chamame, criando o estilo chamado "Rasqueado da Fronteira".

Mais tarde o músico paulista Mário Zan (compositor da música "Chalana" e "Siriema") foi beber nessa fonte, assim como o paulista-cuiabano Nardinho, considerado o maior acordeonista do Rasqueado de Fronteira, criou várias composições nesse estilo.

O conjunto serenata composto por Tote Garcia, Chilo Gigo, Odare Vaz Curvo, Nilson Constantino e Namy Ourives, percebe que o que eles tocavam estava longe do Siriri e da Polca Paraguaia e gravaram o único disco de Rasqueado do grupo, com o nome de Rasqueado Cuiabano.



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· Discordo totalmente do comentário final   - Marcello Garcia
· BOM EM PRIMEIRO LUGAR , EU GOSTARIA D  - JELSON
· Mato Grosso em si já é uma riqueza. A su  - GETÚLIO A. DE OLIVEIRA




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