Sábado, 18 de abril de 2015 Edição nº 11034 02/10/2004  










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Bachs pega 8 anos, porém é solto

Júri popular absolve uruguaio da acusação de homicídio, mas o condena por contrabando e formação de quadrilha

Pedro Alves/DC
O uruguaio Júlio Bachs cumprimenta o procurador da República Pedro Taques instantes depois de ouvir a sentença que o permitiu voltar para casa
CARLOS MARTINS
Da Reportagem

Depois de ter ficado 638 dias privado da liberdade, o uruguaio Júlio Bachs Mayada saiu ontem do 12° andar do Hotel Paiaguás, em Cuiabá, direto para a sua casa. Por maioria dos votos, os sete jurados o absolveram da acusação de estar envolvido nas mortes do radialista Rivelino Brunini e de Fauze Rachid Jaudy, crime ocorrido em 5 de junho de 2002. Mesmo condenado a oito anos de reclusão em regime fechado por formação de quadrilha (cinco anos) e contrabando de componentes eletrônicos usados nas máquinas caça-níqueis (três anos), Bachs poderá apelar da sentença livre das grades do Presídio Pascoal Ramos, conforme decisão do juiz federal César Augusto Bearsi. “A primeira coisa que vou fazer é abraçar meu filho Victor e depois tomar uma cerveja gelada”, disse Bachs, em entrevista exclusiva ao Diário, pouco depois das 18 horas.

Foi o mais longo julgamento federal desde que a Seção Judiciária da Justiça Federal se instalou em Mato Grosso, em maio de 1967. O sétimo julgamento começou na manhã de segunda-feira e para não se tornar por demais extenuante, o juiz decidiu que por volta das 19h de cada dia os trabalhos seriam interrompidos. A sexta-feira foi dedicada aos debates finais entre a acusação – a cargo do procurador da República Pedro Taques – e a defesa, por meio do advogado Paulo Fabriny Medeiros. Sem pausa para o almoço, o julgamento só terminou quando a sentença foi leda pelo juiz Bearsi, pouco antes das 17h30.

Taques usou as duas horas a que tinha direito, mais meia hora para a réplica, para argumentar junto aos jurados – cinco homens e duas mulheres – que existiam elementos suficientes para condenar Bachs pelo duplo homicídio qualificado, pela tentativa de homicídio contra o pintor Gisleno Fernandes e pelos crimes de formação de quadrilha e contrabando. Taques apresentou uma transcrição de uma fita gravada por Sílvia Chirata (mulher de Arcanjo, que também está presa no Uruguai), e que foi apreendida na casa de Arcanjo durante a operação “Arca de Noé”. A conversa envolvia Silvia, o advogado João Santos Gomes Filho, que defendia à época Arcanjo, o jornalista Paulo Leite e o advogado de Bachs, identificado na conversa como o “P” (mais tarde Paulo Fabriny confirmou ser o advogado citado). Na gravação, sugeria-se que caso Bachs se entregasse ele teria uma série de regalias. Taques sustentou que quando Bachs se entregou à Polícia Federal, foi para proteger Arcanjo. O depoimento de Ronaldo Sérgio Laurindo, que esteve preso com Bachs na Delegacia de Capturas, também foi usado por Taques. Ronaldo contou que Bachs afirmou-lhe possuir uma fita mostrando que Brunini havia mandado matar o sargento José Jesus de Freitas. Bachs também estaria num carro próximo ao local onde Rivelino e Fauze foram mortos. Além disso, segundo Ronaldo, o pagamento do crime teria sido feito na casa de Bachs.

O advogado Paulo Medeiros disse aos jurados que a única prova apresentada foi a declaração do um homem acusado de latrocínio, Ronaldo Sérgio Laurindo. Para intimidar os presos, Bachs poderia dizer apenas que trabalhava para Arcanjo, argumentou o advogado. “O depoimento de Ronaldo não encontrava respaldo em nenhuma outra prova dos autos”, afirmou o advogado. Além disso, Medeiros usou o depoimento de Hércules de Araújo Agostinho, que incriminou João Leite e Célio Alves de Souza. “Porque deveria valer apenas a versão de Ronaldo, e não a de Hércules”, questionou o advogado.

Por volta das 13h40, logo após o fim dos debates, o juiz Bearsi apresentou aos jurados a relação dos 21 quesitos para serem julgados. Depois de duas horas reunidos os jurados voltaram à sala. Assim que o juiz concluiu a leitura de sentença, Bachs abraçou primeiro seu advogado Paulo Fabriny e, em seguida a mulher, Márcia Carla Carpinski. Também cumprimentou o procurador Pedro Taques e o juiz César Bearsi. Também foram denunciados e aguardam julgamento João Arcanjo Ribeiro, o coronel reformado Frederico Lepesteur, Hércules Agostinho, Célio de Souza, Luiz Alberto Dondo Gonçalves, o coronel da reserva Marcondes Ramalho, o coronel reformado Gonçalo de Oliveira Costa Neto, Marlon Marcus Bafa Pereira e a mulher de Bachs, Márcia Carla Carpinski.



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