O céu por testemunha
Com duração de 25 minutos, hoje o céu será palco de mais um eclipse total da Lua. O ponto máximo do fênomeno lunar ocorre às 21h06
MÍRIAM BOTELHO
Da Reportagem
Hoje é dia de olhar para o céu, afinal tem eclipse da Lua. Com duração de 25 minutos, o eclipse total acontece às 21h06. Os dados são fornecidos pelo astrônomo amador Eduardo Baldaci, um dos sete brasileiros a participar do projeto da NASA para divulgação científica. Mesmo sem contar com apoio ou patrocínio, Eduardo Baldaci vêm realizando um projeto educacional, através do qual divulga os fenômenos astronômicos em palestras e observação telescópica dos astros.
Um eclipse lunar ocorre, segundo ele, quando a Lua entra na sombra da Terra. À distância da Lua, 384 mil km, a sombra da Terra, que se estende por 1,4 milhões de km, cobre aproximadamente quatro luas cheias. Em contraste com um eclipse do Sol, que só é visível em uma pequena região da Terra, um eclipse da Lua é visível por todos que possam ver a Lua. E, é claro, visto, se o clima permitir, de todo a parte noturna da Terra.
Baldaci está aproveitando o eclipse de hoje para tentar sensibilizar as autoridades sobre a importância de seu projeto (talvez único no país), através do qual procura levar ao público em geral e às escolas, um pouco de seu conhecimento adquirido em 20 anos de pesquisa. Através de vídeos cedidos pela própria NASA, as palestras são realizadas em linguagem simples e compreensível ao público infanto-juvenil, mas que sempre atrai também a atenção dos pais.
A divulgação da astronomia, segundo ele, é muito importante pois o jovem começa a perceber como é importante cuidar do meio ambiente. Ela está ligada à cultura, ciência e educação. O astrônomo é um ecologista, ele observa as queimadas, as devastações dos rios, entre outros fenômenos ligados à natureza. Na ciência, completa o pesquisador, a astronomia auxilia na matemática e física quando estudamos a movimentação dos astros e forças da gravidade. Na cultura induz conceitos que devemos cuidar de nosso planeta, evitar queimadas (que atrapalham na observação astronômica e no uso racional da energia elétrica).
Ele já visitou vários colégios, entre eles Colégio Tiradentes, Tancredo Neves, Darcy Ribeiro no Jardim Industriário entre outros. Nas palestras costuma enfocar os estudos dos povos antigos que faziam desta ciência a base do seu dia a dia. “As crianças ficam interessadas nos fenômenos astronômicos. Olhar o céu por um telescópio é algo que fica gravado para o resto da vida. Em poucos minutos é fácil somar um público de 200 crianças. O sonho é construir um observatório astronômico aqui em Cuiabá. Trabalhando há anos sem apoio ou patrocinador, e apesar do número expressivo de estudantes que já participaram do projeto, infelizmente, não dá mais para manter o projeto sozinho. Falta de material didático, para ser distribuído ao público de forma gratuita e auxilio na compra de mais um telescópio para os estudantes manusearem são alguns dos problemas.
Desde sua infância Eduardo Baldaci foi fascinado pela astronomia. Nascido em plena época das maiores conquistas espaciais, sonhou em um dia ser um astrônomo. Ele freqüentou o curso universitário de astrofísica, tendo inclusive estagiado no Observatório Nacional. Em 1983, começou a divulgar a aproximação do cometa Halley. Convidado pela Nasa para participar do International Halley Watch – grupo de 600 astrônomos do mundo todo, acabou se destacando ao ser o primeiro a observar o cometa na região sudeste.
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