Terça feira, 18 de dezembro de 2018 Edição nº 10701 24/08/2003  










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Ana Martinha comemora seus 123 anos

Considerada a mulher mais velha do Brasil, ela está disposta a continuar vivendo por muito tempo

Pedro Alves/DC
Ana Martinha da Silva, que completa 123 anos amanhã, se recorda de passagens importantes da história do Brasil e de Mato Grosso
ALECY ALVES
Da Reportagem

A mulher mais velha do Brasil e quem sabe do mundo, dona Ana Martinha da Silva, completa 123 anos amanhã sonhando em ter um carro para passear. “Deixava Deus me dar um carro pra vocês verem o quanto eu ia andar”, repetia ela em entrevista no início desta semana, enquanto contava histórias dos lugares onde viveu.

Filha de escravos, dona Martinha nasceu na comunidade de Barreiro, município de Chapada dos Guimarães, no dia 25 de agosto de 1880, conforme certidão de nascimento registrada no cartório chapadense. Do pai, Martinho Fernandes da Silva, além das lembranças de uma lida sofrida na roça, servindo aos seus senhores, ela recorda do erro que ele teria cometido na hora de registrá-la.

No lugar de informar a data do nascimento, Martinho teria dito o dia do registro dando a entender que ela acabara de nascer. Como o documento foi feito quatro anos depois do nascimento, junto com as certidões de outros três irmãos mais novos, a idade verdadeira dela teria quatro anos a mais, ou seja, 127.

Com uma memória de fazer inveja, dona Martinha lembra de passagens históricas importantes do país, como a abolição da escravatura. Enquanto as conta, reclama da visão e audição. “Não sei o que deu em mim, minha filha, mas até ano retrasado eu enxergava e escutava bem mais. Até enfiava linha em agulha fina. Agora não enxergo nem na grossa”, lamenta.

Com bom humor, ela descreve as cenas da notícia do fim da escravidão. “Chegou um homem lá na fazenda, correndo para todos os lados e noticiando a alforria (a lei Áurea, que pôs fim à escravidão foi assinada em maio de 1888). Nessa hora, os negros começaram a pular de alegria e os brancos a chorar”. Entre gargalhadas, dona Martinha completa: “nossa gente estava alegre e eles tristes porque iam ter que trabalhar”.

Mas a tristeza logo estampa no rosto dela, ao se lembrar das atrocidades da escravidão. “Minha filha, eles judiavam tanto dos escravos que você nem pode imaginar. Vi muitos deles ser espancados e outros assassinados”.

Morando em uma casa simples no bairro Pedra 90 II, ela passa a maior parte do tempo em uma rede, de onde ainda consegue se levantar sozinha. A idade também não a impede de fazer necessidades pessoais como tomar banho, se vestir e se alimentar.

A saúde surpreende médicos e familiares. A filha, Benedita Silva, 70, se diz envergonhada diante da capacidade da mãe de recordar fatos tão antigos. Dona Martinha se orgulha, por exemplo, de ter sido internada apenas duas vezes e por ocorrências banais. Uma vez, conta, porque se machucou numa queda provocada por um cachorro. “Mas passei só um dia no hospital”. Na outra, diz, estava com diarréia e sofreu um desmaio. Nessa também teriam sido menos de 24 horas sob cuidados médicos.

Normalmente, dona Martinha só vai ao médico a cada 30 ou 60 dias para ver se tudo está bem. Também não faz uso contínuo de remédios. O hábito é tomar uma colher de mel ao dia, logo depois do desjejum, que pode ser um bife ou um pedaço de frango com um punhado de farinha de mandioca.

No almoço, a refeição dela precisa ter caldo, por isso prefere carne ou frango com batatas. O jantar é servido no máximo às 16h30, porque após esse horário dona Martinha só consome líquido - água, suco ou leite. Mas ela diz que sente saudade das feijoadas que costumava fazer e até dá a receita - feijão rosinha com ossada de boi.

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· Uma bela licao para as pessoas que ain  - fernando souza santana
· Com satisfação li a notícia dos 123 anos  - Antonio Carlos Grimaldi




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