Sábado, 18 de janeiro de 2020 Edição nº 10687 08/08/2003  










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Roberto Marinho é enterrado no Rio

O presidente das Organizações Globo morreu anteontem à noite, aos 98 anos, em decorrência de um edema pulmonar

Agência Folha - Rio

O corpo do jornalista e empresário Roberto Marinho foi enterrado ontem por volta das 16h no cemitério São João Batista, zona sul do Rio de Janeiro. O presidente das Organizações Globo morreu anteontem à noite, aos 98 anos, em decorrência de um edema pulmonar.

O velório do jornalista, realizado em sua casa, no Cosme Velho, reuniu diversas personalidades políticas, artistas e integrantes da ABL (Academia Brasileira de Letras). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), compareceram ao local. Também estiveram presentes ministros, congressistas, e os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Antes do enterro, o arcebispo emérito do Rio, d. Eugênio Sales, celebrou uma missa. O cortejo do corpo até o cemitério foi feito em um carro de reportagem da Rede Globo sob aplausos nas ruas da cidade. No cemitério, um dos netos do jornalista cobriu o caixão com uma bandeira do Flamengo.

Marinho, que iniciou seu império de comunicação ao assumir o jornal "O Globo", fundado em 1925 por seu pai, Irineu Marinho, sofreu um edema pulmonar por volta de 9h30 da manhã de anteontem, em sua casa, e foi internado na unidade de terapia intensiva do hospital Samaritano (em Botafogo, zona sul).

Os médicos iniciaram uma cirurgia para tentar dissolver o coágulo por volta das 21h30, mas o empresário não resistiu. A morte foi anunciada pela TV Globo por volta das 22h45.

Ele deixa viúva, Lili Marinho, e três filhos, Roberto Irineu, 55, João Roberto, 49, e José Roberto Marinho, 47, todos do primeiro casamento, com Stella de Campos Goulart. Tinha 11 netos e cinco bisnetos.

LULA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, após passar pelo velório do empresário Roberto Marinho, que o jornalista deu uma contribuição inestimável para a comunicação e a cultura do país, apesar das divergências políticas.

"Eu acho que a gente não mede as pessoas por divergências. A gente mede as pessoas pela importância que as pessoas tiveram naquilo que se propuseram a fazer. E o doutor Roberto Marinho foi um dos maiores homens de comunicação da história desse país", disse o presidente

Lula afirmou que teve dois grandes momentos com o empresário. Um deles, em Paris, depois das eleições presidenciais de 1989 e outro, durante a campanha do impecheament do ex-presidente Fernando Collor de Mello (90-92).

O presidente classificou os dois momentos importantes pela sinceridade com que os temas fluiriam nas conversas que teve com Marinho. "Conhecendo melhor as pessoas é que a gente pode analisar o que leva a pessoas a tomarem as grandes decisões. O país perde um grande homem, que a gente considera de vanguarda", afirmou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial por três dias em homenagem ao jornalista e empresário Roberto Marinho.



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