Segunda feira, 24 de junho de 2019 Edição nº 9671 24/07/2000  










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Cidade foi a primeira planejada

Da Reportagem

Vila Bela da Santíssima Trindade está localizada no Vale do Guaporé, exatamente na confluência entre o Pantanal, a Floresta Amazônica e o Cerrado. A cidade foi criada em 1748, por determinação do Rei de Portugal, Dom José, e de seu ministro, o Marques de Pombal.

Antonio Rolim de Moura foi nomeado, neste ano, capitão general para nova Capitania de Mato Grosso, mas a viagem até o coração da América do Sul levou três anos. Rolim de Moura só chegou ao Guaporé em 1751. As primeiras capelas da cidade começaram a ser erguidas no ano seguinte, 1752.

A região do Guaporé foi escolhida porque, por determinações do rei, a sede da capitania de Mato Grosso - uma espécie de capital - tinha que cumprir objetivos claros. Entre eles, estar o mais próximo possível de jazidas de ouro. Além disso, era também função da sede da capitania garantir aos portugueses a posse desta porção a oeste, até então susceptível à invasão de espanhóis.

O principal temor de Portugal referia-se às missões espanholas, que catequizavam índios. Esta importância era tão estratégica que Rolim de Moura veio de Portugal já com os principais contornos da cidade definidos. É por isto que Vila Bela é citada como a primeira cidade planejada de Mato Grosso.

Neste contexto é que foram trazidos da África, especialmente do Congo e Guiné, os escravos negros. Por conta das semelhanças com o meio ambiente do país de origem, eles não tiveram tantas dificuldades para se adaptar.

O mesmo já não pode ser dito dos portugueses, que mesmo com a estrutura proporcionada pelo Império, não resistiam às condições locais. Uma das preciosidades que Vila Bela guarda desta época são as ruínas da antiga igreja. Construída pelos escravos, com alicerces de pedra canga trabalhada, as paredes da igreja se destacam por sua largura – em alguns pontos, de até meio metro.

Em oposição às ruínas da antiga igreja está a nova igreja, construída em 1969, e que guarda várias peças sacras do século XVIII, a maioria esculpida em madeira. Ao lado esquerdo da igreja estão verdadeiras raridades históricas: sinos.

O maior deles, de 1791, apresenta em relevo a imagem de Santa Ana; o menor, de 1790, carrega a inscrição Nossa Senhora do Monte Carmo; o terceiro, de 1788, é marcado por um cruz em relevo. Nesta mesma praça, a Coronel Paulo Saldanha, na rua Pouso Alegre, mais uma preciosidade. Um canhão, do século XVII, que provavelmente deveria ser usado para defender a fronteira.

Numa das extremidades da Rua Pouso Alegre está o cemitério da cidade. Lá ainda é possível encontrarmos alicerces da Igreja Nossa Senhora do Carmo. Já no outro extremo da rua Pouso Alegre está outra igreja, a Santo Antônio dos Militares. Desta, só restaram os alicerces. Nesta porção da rua é possível avistar o rio Guaporé, e com sorte presenciar botos cor de rosa, típicos na região.

Continuando a viagem pela cidade é possível ainda chegarmos ao Palácio dos Capitães, construído também no século XVII, com as mesmas características da catedral, e onde funcionou, por mais de 70 anos, a sede do governo da capitania. No palácio funciona hoje a prefeitura.

Por tudo isso, Vila Bela foi capital, até por volta de 1825. A transferência da sede para Cuiabá durou cerca de 10 anos. Os brancos deixaram a região, em 1835, mas os negros ficaram, e passaram a determinar suas próprias formas de sobrevivência e de estrutura política.

Por conta disso, interpreta-se que em Vila Bela a Lei Áurea chegou com pelo menos cinco décadas de antecedência. Os contatos só voltaram a ser feitos novamente com o restante do Estado por volta de 1950. Foram quase 100 anos de isolamento.(JPL)



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