Terça feira, 18 de junho de 2019 Edição nº 9671 24/07/2000  










TRADIÇÃOAnterior | Índice | Próxima

Festa do Congo anima Vila Bela hoje

Cerca de 2000 pessoas homenageiam São Benedito, Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade

JOSÉ LUIZ MEDEIORS/DC
Na festa do Congo o cortejo em homenagem ao rei tem início às 5h e só acaba às 17h
JOANICE PIERINI LOUREIRO
Da Reportagem

A cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, localizada 547 quilômetros a oeste de Cuiabá, se enche de cores hoje, a partir das 5h. A Festa do Congo, mais tradicional comemoração da comunidade negra de Mato Grosso, acontece este ano com a presença de cerca de dois mil visitantes de todas as partes do Estado. Para lembrar as devoções ao Divino Espírito Santo, São Benedito e à Santíssima Trindade, moradores de toda cidade estão ritmo animado.

Do Congo, país localizado na região central da África, para Mato Grosso, distâncias e culturas em comum. De lá vieram para a América do Sul milhares de escravos no tempo do Brasil Colônia, século XVII. Trouxeram consigo suas tradições: muitas delas desapareçam com o tempo e com a condição escravagista. Outras, se misturaram à cultura portuguesa. A Dança do Congo é uma das manifestações que se torna cada vez mais expressiva a cada ano que passa.

A Dança do Congo é na verdade a comemoração de uma disputa onde o Reinado é representado pelo rei do Congo, pelo secretário de guerra e pelo príncipe, Kangingim. Já a comunidade se faz presente pelo embaixador do rei de Bamba, país também africano, e por seus soldados rebeldes. A briga começa quando a filha do rei do Congo é pedida em casamento, através de uma carta, entregue pelo embaixador do rei de Bamba ao rei do Congo.

O pedido de casamento acaba sendo encarado pelo rei como uma provação. Ele manda prender o embaixador, e em seguida ordena ao secretário que declare guerra ao rei de Bamba. Destes cargos importantes na disputa só fazem parte moradores tradicionais da cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade. O rei do Congo este ano é Joaquim das Neves; Antônio Carneiro Neto representa o embaixador, enquanto Lélis Carneiro Geraldi é o secretário de guerra.

“Estes cargos são passados de pai para filho”, lembra o coordenador da festa deste ano, Nazário Brasão de Almeida, pai do príncipe Norimar Marques de Almeida. A Dança é o cortejo da guerra. Com a disputa, a embaixada se sente subjulgada, e inclina-se perante ao rei do Congo, que é homenageado por sua firmeza e talento.

O exército vitorioso, com 12 dançantes, desfila pelas principais ruas da cidade, desde às 5h, ao som de tambores, ganzá, viola de cocho e chocalho . “Tem um intervalo só, para o almoço, ao meio dia, e depois o desfile continua, até sete da noite”, descreve Nazário.

Toda esta comemoração, no entanto, é antecedida pela Alvorada, uma forma de despertar a comunidade e da cidade dizer que está em festa. Com início à meia-noite, a Alvorada começa com toque do sino e fogueteiro. O povo se reúne para tocar e cantar modinhas tradicionais, e a serenata vara toda a noite.

Numa prova nítida de como se deu a fusão das tradições africanas e européias, toda esta festa acontece sempre do mês de julho, quando se comemora o dia de São Benedito, santo negro. “Na verdade a festança já começou no mês passado, com as ladainhas, a visita da Bandeira do Divino Espírito Santo, de casa em casa, e com o hasteamento dos mastros de São Benedito e Divino”, explica o coordenador.

Compreender como se dá a organização das três festas é um desafio. As comemorações têm cargos hierárquicos: juízes, juízas, ramalhetes, reis e rainhas, juntamente com irmandades. A condição inicial para ser festeiro de São Benedito é participar da irmandade, que é composta de diretoria e corpo de associados. Os irmãos que fazem parte da diretoria são designados como irmão de mesa. Os demais, irmãos de roda, a quem cabe fazer as escolhas dos festeiros de cada ano.

São Benedito é o santo da etnia da comunidade, por ser o santo negro. Sua festa realiza-se nos dias seguintes à Festa do Divino, na segunda e terça-feira da semana da festança. Antigamente a festa era realizada durante três dias, com o objetivo de prorrogar o descanso dos escravos, que trabalhavam durante o ano inteiro.



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto




06:04 BOA DISSONANTE
06:03 Será que vai dar certo?
06:02 Greve na educação
06:02 13 de junho, da guerra e da copa
06:02 Insaciável máquina do desperdício


06:01 Alento na segurança
05:59
05:58 Vazamento a conta-gotas não permite avaliar mensagens
05:56 Deputado marido de Greenwald relata ameaças de morte à PF
05:54 Odebrecht finaliza pedido de recuperação judicial
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2018