Terça feira, 18 de dezembro de 2018 Edição nº 10398 03/09/2002  










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Flávio Murtosa deixa o Palmeiras

O técnico não suportou a pressão com os péssimos resultados e pediu para deixar o comando técnico do time


Flávio Murtosa não suportou a pressão com os péssimos resultados e deixou o comando técnico do Palmeiras
EDUARDO ARRUDA
Da Agência Folha – São Paulo

Em pouco mais de duas semanas, o Palmeiras ficou de novo sem treinador. Ontem pela manhã, Flávio Teixeira, 51, o Murtosa, acertou sua saída do clube do Parque Antarctica.

Antes dele, Wanderley Luxemburgo trocara o time paulista pelo Cruzeiro para se tornar um dos técnicos mais bem pagos do país - cerca de R$ 150 mil mensais.

Murtosa, que chegou ao Palmeiras com o status de pentacampeão mundial na Copa-2002 como auxiliar de Luiz Felipe Scolari, deixou o clube, no qual havia triunfado em sua única aventura como treinador - há dois anos, quando venceu a Copa dos Campeões -, pela porta dos fundos.

Em quatro jogos no comando do Palmeiras, perdeu três e deixou o time na 24ª colocação do Brasileiro, ou seja, na zona de rebaixamento. Pressionado pelos maus resultados, pediu demissão ainda nos vestiários do estádio Couto Pereira após a humilhante goleada de 5 a 1 sofrida ontem diante do Paraná, até então o último colocado no Nacional.

Ontem pela manhã, bastante abatido, o treinador, em reunião com o presidente Mustafá Contursi e o diretor de futebol Sebastião Lapolla, voltou a manifestar seu desejo de sair do Palmeiras.

Os dirigentes ainda tentaram demovê-lo da idéia, mas a decisão já estava tomada pelo técnico.

“Ainda tentamos, mas ele estava muito seguro neste sentido. Lamentamos a perda de um profissional vencedor, que tem uma história dentro do clube", declarou Lapolla.

O treinador foi embora sem se despedir dos atletas, a quem chamou de “apáticos".

“Deixo o comando da equipe porque tenho certeza de que não conseguirei reverter o estado de apatia que tomou conta do grupo. Apesar da falta de sorte que tive devido às inúmeras contusões de jogadores importantes, nada justifica levar goleadas de equipes inferiores à nossa. Se isso aconteceu, é porque o grupo não conseguiu captar o que eu quis colocar em prática", disse Murtosa em entrevista ao site oficial do Palmeiras.

A nova “era” Murtosa no Palmeiras começou a ruir depois da goleada por 4 a 0 para o Atlético-MG em pleno Parque Antarctica.

O resultado demoliu a confiança de conselheiros e torcedores no treinador obtida com a vitória por 3 a 2 diante do São Caetano - a única de Murtosa em sua segunda passagem pelo clube.

A partir daí, o técnico foi bombardeado pela principal torcida do clube, a Mancha Alviverde, que exigia a troca do técnico antes mesmo do jogo contra o Paraná.

Quando assumiu o clube, em 15 de agosto, disse que não conseguiria ficar no cargo se perdesse quatro partidas seguidas.

“Saio do Palmeiras com o coração apertado porque nunca escondi minha relação de carinho com este clube, mas é justamente por ser palmeirense que preferi sair a continuar e prejudicar ainda mais o time. Não levo mágoas de ninguém e desejo que o novo técnico consiga os resultados que eu não consegui", completou.



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