Rumor de pacote com FMI faz dólar cair e fechar em R$ 3,1
A moeda norte-americana fechou em baixa de 1,89%, negociada a R$ 3,11. O risco-país caiu 2,5%, para 2.126 pontos
ANA PAULA RAGAZZI
Da Agência Folha – São Paulo
A expectativa de um novo acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), mais uma vez, conteve a alta do dólar ontem. A moeda norte-americana fechou em baixa de 1,89%, negociada a R$ 3,11. O risco-país caiu 2,5%, para 2.126 pontos.
Durante o dia, a oscilação foi forte - o dólar chegou a subir até 3,15%. O jogo começou a virar no início da tarde, depois que o Banco Central vendeu US$ 50 milhões ao mercado, como parte de sua ração diária para tentar aumentar a liquidez do mercado cambial.
Após a oferta, surgiu o boato de que o acordo com o FMI pode ser divulgado hoje ou, no máximo, quinta-feira. Como o que tem ditado a cotação da moeda dos EUA é o dia-a-dia, a notícia atendeu às expectativas dos investidores e fez com que a tendência invertesse.
“Não é possível esperar por uma baixa volatilidade com a moeda nos níveis atuais”, avalia Pedro Thomazoni, do Lloyds TSB. “A atual cotação é muito exagerada, o que gera instabilidade.”
O mercado aguarda pelos termos do novo acordo que o Brasil negocia com o Fundo. Quando houver o anúncio, a expectativa é que o dólar recue um pouco e pare de ter oscilações tão fortes de um dia para o outro. Não se espera, entretanto, uma desvalorização acentuada. “Ela deve variar menos e se manter em torno dos R$ 3”, diz Thomazoni.
Se o novo acordo trouxer a liberação de novos recursos - o mercado especula que podem chegar a US$ 15 bilhões-, a queda do dólar poderá ser maior. “Mas as incertezas são tantas que, no momento, é difícil fazer previsões”, diz Emanuel Pereira da Silva, diretor da GAP Asset Management.
Entre as variáveis a serem consideradas estão o futuro político brasileiro e o comportamento dos investidores internacionais, pouco dispostos a investir após os escândalos financeiros envolvendo empresas dos EUA.
Segundo analistas, o mercado aguarda da negociação com FMI, ao menos, a criação de uma linha de exportação para as empresas brasileiras, que estão com o crédito no exterior zerado.
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