Quinta feira, 18 de dezembro de 2014 Edição nº 10305 29/05/2002  










LIXOAnterior | Índice | Próxima

Reciclar lixo dá dinheiro para cooperativa em Cuiabá

Cooperados que trabalham no lixo em Cuiabá conseguem ganhar, em média, R$ 230 por mês na usina de compostagem

PEDRO ALVES/DC
Aguinaldo divide o seu tempo entre a usina de compostagem de lixo e as aulas de Biologia em uma universidade
Da Reportagem

No ano passado a reciclagem de lixo na capital rendeu cerca de R$ 442 mil reais a Cooperativa de Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Coopemar). Com isso, os 112 cooperados receberam mensalmente em média

R$ 230 – enquanto o salário mínimo era de R$ 180.

Diariamente os trabalhadores separam e selecionam o lixo que será transformado em material reaproveitavél. Muito do que é reciclado é comprado por indústrias localizadas em outros estados como São Paulo e Santa Catarina.

Como o sistema de cooperativa prioriza a produção diária de cada membro da entidade, produzir mais significa um ganho extra no fim do mês. “Os cooperados sabem que o empenho de cada um aumenta a produção e gera mais renda para todos no final do mês”, aponta o presidente da Coopemar, Wanderley Cavenaghe.

Desde 1996, quando foi criada a Usina de Triagem e Compostagem de Cuiabá, até o ano passado o crescimento nas vendas registrou a marca de 102%. No primeiro ano de funcionamento a cooperativa comercializou cerca de R$ 192 mil.

Das 360 toneladas (t) de lixo produzidas diariamente na capital cerca de 150 t vão para uma das cinco peneiras de triagem da usina. Mas apenas 5% a 6% deste total é de fato transformado em outros produtos.

“Quando a usina iniciou suas atividades, 100% do lixo recolhido em Cuiabá ia para a triagem. Mas de lá para cá a cidade cresceu e nossa capacidade de reciclagem não acompanhou no mesmo ritmo. Se pudéssemos investir em maquinário e se tivéssemos a ajuda do poder público para ampliar a capacidade de compostagem para 100% estaríamos prolongando a vida útil do aterro sanitário”, observa Cavenaghe.

Os cooperados extraem do lixo doméstico da capital e selecionam plásticos, papelão, garrafas de refrigerante (pet), alumínio, vidro, sucatas e produtos orgânicos.

PLÁSTICO – O plástico é o produto mais rentável para a cooperativa e são transformados em granulados que viram matéria-prima para a fabricação de mangueiras. O produto reciclavél abastece basicamente fábricas em Cuiabá e Várzea Grande. Cada quilo do granulado é vendido a cerca de R$ 0,60 a R$ 0,65.

O papelão prensado e compactado vira outras caixas e tem como destino fábricas em Jundiaí (SP) e Andradina e Campo Grande (MS). Para cada quilo do papelão a cooperativa recebe R$ 0,06.

As garrafas plásticas e descartáveis de refrigerantes - chamadas de “PET” - são compactadas e transportadas em fardos. O material, que levaria cerca de 400 anos para se decompor, é transformado em tecido e fio de poliéster (usado para fabricação de cordas de nylon). O destino de quase toda a produção é Itajaí, Santa Catarina. Cada quilo das garrafas “PET” é comercializado em R$ 0,30.

O vidro de garrafas é triturado e se transforma em outros vidros. Basicamente o produto é vendido para fábricas localizadas em São Paulo, por cerca de R$ 0,04 o quilo.

As latinhas de alumínio e as sucatas são transformadas em chapas de ferro. As latinhas com preços melhores – R$ 1,70 o quilo – abastecem a capital. Já as sucatas que são vendidas a R$ 0,04 o quilo são compradas por industrias de Curitiba (PR).

O material orgânico – basicamente composto por restos de alimentos e folhas – também selecionado pelos cooperados é mantido em container por 18 dias e depois fica mais 30 dias espalhado em uma área do aterro sanitário e então peneirado e vendido. Do total produzido, 20% é da prefeitura, outros 20% vai para a organização não governamental ICV. Os 60% restante é comercializado pela Coopemar a R$ 15 a tonelada.

A diretoria da cooperativa afirma que os primeiros meses de 2002 estão mais rentáveis com relação ao mesmo período de 2001. Mesmo sem expressar cifras para mensurar o crescimento, o presidente afirma que o empenho de cada um está fazendo a diferença. “Além do esforço comum, a negociação para venda dos produtos está mais flexível e garantindo preços melhores”, ratifica Cavenaghe.



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto

21:00 Jovem foi alvejado com 6 tiros
20:59 Prefeito sofre pressão e decide revogar o recesso
20:59 Empresário ingeriu álcool e droga
20:58 Exame de febre chikungunya mostrou resultado negativo
20:58 Duas centenas bloqueiam a MT-060


20:58 Maioria freqüenta escolas públicas
20:57 Remédios voltam a ser distribuídos
20:57 Falta amparo a haitianos
20:55 Taques se despede do Senado
20:55 Saúde e Educação serão o foco
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2012